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Correio da Manhã

Cultura
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NUNO BARROSO: ESTA É UMA FASE DE TRANSIÇÃO

Ficou conhecido como vocalista dos Alémmar. Agora virado para uma carreira a solo, este jovem artista tem um novo disco, ‘Mistério Sem Fim’, em que aposta na diversidade.
17 de Agosto de 2003 às 00:00
Nuno Barroso
Nuno Barroso FOTO: d.r.
Correio da Manhã – Como é que nasceu o novo álbum?
Nuno Barroso – Depois de quatro anos sem lançar qualquer disco, comecei, ainda quando estava em Londres, a trabalhar neste. Enquanto estudava na universidade, comecei a compor, a fazer as primeiras experiências com músicos de lá e a gravar maquetas.
– O que podemos encontrar em ‘Mistério Sem Fim’?
– São 15 canções, todas originais, em que participam músicos de várias nacionalidades, já que o disco foi gravado em várias partes da Europa. E, de certa maneira, marca o meu regresso à escrita de canções, mas agora num novo formato: a solo. Sinto que estou mais seguro com a minha voz e apresento uma vertente mais rock, sem esquecer as baladas e também algumas experiências musicais. Este é um disco de transição.
– Este álbum foge à linha a que as pessoas estavam habituadas com os Alémmar?
– Tem algumas canções que as pessoas podem reconhecer, a minha forma de compor e de escrever, mas também tem outras que fogem um pouco do grupo, porque fui amadurecendo. As pessoas vão crescendo e, nesse sentido, penso que este disco é mais maduro.
– E tem algumas novidades...
– Gosto de experimentar novas sonoridades e sons e neste álbum apostei nisso. Cada canção tem a sua magia pessoal que, depois, se desenvolve por si própria, mas penso que há uma linha estética que as pessoas podem começar a perceber e há um caminho de futuro nesse trajecto. O disco tem a participação de músicos muito interessantes. Em Londres, trabalhei com dois excelentes produtores, um deles colaborou inclusivamente com os Massive Attack, e gravei um tema com uma orquestra, o Royal College. Há temas que surgem com algumas surpresas a nível sonoro, nomeadamente a experiência em espanhol e em inglês. Mas o português continua a ser a minha língua de eleição.
– E para onde é que o Nuno Barroso se dirige?
– Esta é uma fase de transição. É o primeiro disco a solo, em que assumo também a faceta de produtor, obviamente com as opiniões dos músicos e participando com eles ao nível de arranjos, mas orientando as canções a nível de produção. Neste álbum também tenho um papel mais preponderante na guitarra, o que não acontecia muito com os Alémmar.
– No disco assume papel de produtor, músico, cantor...
– Gosto muito de tocar e de cantar, é a minha vida e onde me sinto mais realizado. Mas é uma forma de tornar as coisas mais pessoais e intimistas e também para ter o controlo maior em relação às canções que faço. Mas nunca deixei de pedir opiniões a vários músicos e produtores.
– O que se pode esperar dos concertos?
– É um espectáculo completamente novo, em que interpreto as canções deste disco, as mais conhecidas dos Alémmar e, também, alguns inéditos. Durante cerca de uma hora e meia, as pessoas ouvem uma sonoridade pop-rock, em que assumo um papel de verdadeiro ‘entertainer’. É no palco que me sinto bem, de estar perto das pessoas e de as deixar bem dispostas.
PERFIL
Nuno Barroso, 26 anos, começou muito cedo a trabalhar no mundo da música. Com apenas 13 anos formou a sua primeira banda para tocar os seus temas originais. No ano seguinte, deu o seu primeiro concerto. Com o grupo Alémmar, lançou, em 1998, o álbum de estreia, assumindo-se como intérprete, autor e compositor de todos os temas. Após o final anunciado da sua banda, o jovem músico – que toca piano, guitarra, baixo, bateria, harmónica e percussões – decidiu partir para Inglaterra, onde frequentou o London College of Music.
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