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Correio da Manhã

Cultura

O 11 de Setembro segundo Oliver Stone

Esta é uma história que devia ser contada. Morreram quase três mil pessoas e só 20 sobreviveram nos escombros. Estes dois homens estiveram no centro da tragédia.” Os dois homens são John McLoughlin e Will Jimeno e o seu olhar sobre os ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001, em Nova Iorque, transformou-se num filme de Oliver Stone.
17 de Julho de 2006 às 00:00
‘World Trade Center’ estreia-se a 9 de Agosto nos Estados Unidos e é, para a crítica, o filme mais “politicamente correcto” do polémico cineasta, que homenageia os “heróis” que “lutaram e morreram” naquela terça-feira negra.
A história de McLoughlin (Nicolas Cage) e Jimeno (Michael Pena), resgatados com vida dos escombros das Torres Gémeas, serve de pretexto para Stone descrever a solidariedade dos nova-iorquinos.
Em Maio passado, o cineasta aproveitou o Festival de Cannes para mostrar um excerto da película que dá para perceber como concebeu um filme feito de emoção sem, todavia, ceder a conteúdos sensacionalistas.
A acção inicia-se com a luz vermelha de um relógio despertador a marcar 03h29. Uma nova alvorada e, aparentemente, mais um dia comum na vida do agente da Autoridade Portuária John McLouglin. Na rotina pré-laboral, McLoughlin verifica o quarto dos filhos e dirige-se para Nova Iorque, reconhecendo-se ao longe o famoso desenho dos arranha-céus que recortam o horizonte.
Na zona da baixa nova-iorquina começa o bulício que Stone capta com denodado realismo, até a enorme sombra atravessar um prédio. Depois sente-se o choque... A resposta de socorro vem, imediata, da autoridade portuária. Sem perceber a dimensão da catástrofe, McLouglin, reúne uma equipa de voluntários e dirige-se para o sinistro, embrenhando-se na Torre Norte, em cujos escombros acaba por ficar preso. Lá fora, uma chuva de papéis cai sobre a multidão em fuga...
Oliver Stone dormia na casa de Los Angeles quando Nova Iorque começou a ser atacada e a mulher o acordou para o horror. E recorda como assistiu, atónito, pela televisão, ao embate do segundo avião.
TRÊS VISÕES DIFERENTES
‘World Trade Center’ não é o único filme a abordar a tragédia que, há quase cinco anos, abriu uma ferida que continua por sarar. Já em exibição nos Estados Unidos desde Abril e com estreia marcada para Portugal a 24 de Agosto, está ‘Voo 93’ (‘United 93’), escrito e realizado por Paul Greengrass, sobre o avião que se despenhou na Pensilvânia, e ‘Home Of The Brave’, realizado por Irwin Winkler com argumento de Mark Friedman. O primeiro é feito a partir dos registos dos telefonemas dos passageiros do voo 93 da United Airlines, que fizeram abortar o desvio do avião que, presume-se, se dirigia à Casa Branca; o segundo – ainda por concluir – relaciona-se com os ataques de forma transversal, já que aborda o trauma dos militares regressados da guerra do Iraque. Importa ainda referir o telefilme ‘Flight 93’, da Fox TV (disponível em DVD por importação britânica), com uma dramatização do que se supõe ter sido o pânico a bordo do avião que não atingiu o alvo dos terroristas.
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