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Correio da Manhã

Cultura
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O ano foi de Paula Rego

Este foi, sem dúvida, o ano de Paula Rego. As suas exposições receberam números recordes de visitantes e obras suas atingiram valores inéditos em leilões internacionais.
31 de Dezembro de 2005 às 00:00
Um total de 157 443 visitou a exposição que esteve três meses no Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto. E a mostra ‘Formiga rabina e outras histórias’, nos Claustros do Instituto Politécnico, em Setúbal, recebeu cerca de 1500 pessoas, número que constituiu um recorde absoluto daquele espaço.
No mercado internacional, a pintura portuguesa marcou uma forte presença, como o demonstram os valores atingidos por obras de Paula Rego (mais de meio milhão de euros), Vieira da Silva (408 mil euros) e Graça Morais (37 mil euros), leiloadas em Junho passado pela Sotheby’s, em Londres.
Após um arranque com quatro meses de atraso e um orçamento que sofreu vários cortes, a iniciativa Faro -- Capital Nacional da Cultura encerrou com um balanço positivo e uma franca adesão do público, isto de acordo com os programadores.
Os museus nacionais voltaram a viver dias difíceis por falta de verbas e de pessoal. Um dos casos mais caóticos foi o do Museu do Chiado-Museu Nacional de Arte Contemporânea, em Lisboa, que encerrou à hora do almoço e aos fins-de-semana devido à falta de vigilantes-recepcionistas. O problema foi resolvido quando o Ministério da Cultura desbloqueou a verba necessária para a contratação de funcionários.
Outro museu em destaque mas desta feita por motivos positivos, foi o de Rafael Bordalo Pinheiro, também na capital, que, encerrado desde 1999, reabriu com instalações renovadas.
O poeta e pintor Mário Cesariny recebeu a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade pela obra literária e pela figura em prol da cultura portuguesa. Cesariny ainda foi distinguido com o Prémio Vida Literária, da Associação Portuguesa de Escritores.
O ano prestes a findar ficou ainda marcado pela morte, aos 77 anos, de Manuel de Brito.
Igualmente triste foi o chumbo à candidatura das tradições orais galaico-portuguesas a Património Imaterial da Humanidade, rejeitada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).
COLECÇÃO BERARDO
Uma das colecções de arte contemporânea mais valiosas do Mundo vai ficar em Portugal, graças a um acordo verbal entre o empresário madeirense Joe Berardo e o Governo português. De facto, a colecção Berardo, composta por cerca de quatro mil obras de artistas importantes do século XX, ficará instalada num museu a criar propositadamente no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.
Já se encontram em curso as negociações para a criação do futuro Museu Nacional de Arte Contemporânea, cujo modelo de gestão terá por base o desenho jurídico da Fundação de Serralves, no Porto. Até 15 de Fevereiro, tudo ficará definido.
O MAIS ANTIGO GALERISTA
Manuel de Brito, o mais antigo galerista português em actividade, morreu a 29 de Novembro, em Lisboa, vítima de uma pneumonia. Tinha 77 anos. Fundador (1964) e director da mais antiga galeria de arte nacional – a 111, Manuel de Brito começou a trabalhar com apenas dez anos e a sua apurada sensibilidade levou-o a ‘descobrir’ grandes talentos artísticos nacionais.
Na sua galeria iniciaram carreira artistas que, até à data, nunca tinham exposto, casos de Palolo e Álvaro Lapa. Ainda hoje, a 111 acolhe alguns dos maiores nomes das artes portuguesas de Paula Rego a Graça Morais, passando por Júlio Pomar ou Vieira da Silva.
A OPINIÃO DO NOSSO PAINEL
QUAL FOI A MELHOR EXPOSIÇÃO/EVENTO A QUE ASSISTIU EM 2005
"REABERTURA DO B. PINHEIRO"
“A reabertura do museu Bordalo Pinheiro, com a excelente exposição ‘O contrato social’, que reuniu obras de artistas como Paula Rego, Julião Sarmento ou Joana Vasconcelos.” Sónia Tavares - Vocalista do grupo The Gift
"SEM TEMPO PARA NADA"
“Mais uma vez vou ter que passar. Foi um ano muito recheado de trabalho e andei sempre ocupado e sem tempo para nada. Não fui nem a exposições nem a espectáculos de dança ou outros.” Nicolau Breyner - Actor de teatro, cinema e televisão
"FENÓMENO RARO"
“A de Paula Rego, no Museu de Arte Contemporânea de Serralves, que esteve na origem de um fenómeno raro em Portugal: teve milhares de visitantes dos mais diversos pontos do País.” Nuno Lima de Carvalho - Director Galeria Casino Estoril
"UMA PINTORA ESPECIAL"
“Adorei a exposição da Paula Rego em Serralves. Ela é uma pintora especial, que me remete para o imaginário infantil, com um toque de perversidade. Os seus quadros contam histórias.” Diogo Infante - Actor e encenador
"PAULA REGO EM SERRALVES"
“A melhor exposição foi a de Paula Rego, levada a cabo pelo Museu de Serralves, numa demonstração de verdadeira qualidade expositiva, a indemnizar-nos do proverbial tijolo no meio da sala.” Mário Cláudio - Escritor
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