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Correio da Manhã

Cultura
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O CAMALEÃO DO NOVO MILÉNIO

Quando há três anos lançou “Holy Wood (In the Shadow of the Valley of Death)”, Marilyn Manson enfrentava um novo desafio. Completo o tríptico iniciado em ‘96 com “Antichrist Superstar” e prosseguido em ‘98, com “Mechanical Animals”, a personagem, o polémico “god of fuck” esfumava-se.
12 de Maio de 2003 às 00:00
O que fazer depois? A resposta está desde hoje no mercado e responde pelo título “The Golden Age of Grotesque”.
Em primeiro lugar, este é um disco de mudança, um registo que evita a polémica (podem dormir tranquilos os fundamentalistas da moral), não obstante toda a ironia que o título encerra. Sem o peso de qualquer personagem, Manson surge, pois, livre. Mais perigoso do que nunca, porquanto, desta vez, a aceitação está facilitada, mesmo apesar da perigosa mensagem “Hate american style”, em “Use Your Fist & Not Your Mouth”.
variedade rítmica
À maneira de Bowie (quer queiramos, quer não, Manson é o “camaleão” do novo milénio, metamorfoseando-se a cada disco), o que o ex-anti-cristo agora nos oferece é “apenas” um punhado de canções inspiradas no “burlesco” movimento expressionista que assolou a Europa há quase um século a partir de Berlim. E é aí, precisamente, que se podem encontrar as raízes do disco. Conceptuais e musicais, embora a mudança esteja longe de ser... grotesca. O “swing” está lá mas resulta agora da conjugação de novos elementos, “beats”, “loops” e uma variedade rítmica que fazem deste o mais dançável (e agradável) de todos os álbuns de Manson.
A começar pelo single de avanço, “mObscene”, refrão “orelhudo”(a lembrar“be agressive” de FNM), coro “sexy” e um notável trabalho de guitarras. Está dado o mote. “Doll-Dagga Buzz-Buzz Ziggety-Zag” é puro “vaudeville” século XXI, burlesco “can-can” travestido de metal, “(s)Aint” uma incursão ao universo industrial, tal como “Better of Two Evils”, enquanto “Ka-Boom Ka-Boom” nos devolve o cabaret ... “la-la-la-la...”
Num trabalho viciante e onde resquícios de “Holy Wood” também são notados (”The Golden Age of Grotesque”) registem-se ainda dois momentos especiais: a recuperação gótica de ”Spades”, qual Paradise Lost, e o demencial clima de “Para-Noir”, sublinhado na perfeição pela guitarra de John 5. “Tainted Love” a versão de Soft Cell, fecha o disco, sem dúvida o melhor desde “Antichrist”. Ka-Bom!
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