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Correio da Manhã

Cultura
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O CLÃ E O SEU CÚMPLICE

Uma noite ‘especial’, protagonizada por cúmplices das canções e dos palcos, é a promessa dos Clã e Arnaldo Antunes, que hoje, pelas 21h30, actuam no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra.
26 de Novembro de 2004 às 00:00
Arnaldo Antunes e Manuela Azevedo durante o ensaio de ontem
Arnaldo Antunes e Manuela Azevedo durante o ensaio de ontem FOTO: Manuel Moreira
O conceito deste espectáculo único é, segundo a cantora Manuela Azevedo, “recriar os ambientes do álbum ‘Rosa Carne’”, naquela que será a primeira apresentação do disco na região de Lisboa. Todavia, tal como o CM pôde testemunhar ontem num ensaio, as canções vão surgir com ‘novos arranjos’ e alguns ‘extras’.
As surpresas, contudo, não se ficam por aqui e, fruto de uma ‘empatia crescente’ entre os Clã e Arnaldo Antunes, o ‘velho’ colaborador cantará com o grupo um tema (‘Seja como Fôr’) que compôs para o novo álbum da banda, além de canções do seu próprio repertório (‘Saiba’, ‘A Razão Dá-se a Quem a Tem’, ‘Consumado’) e ‘O Amor é Feio’, um ‘hit’ dos Tribalistas.
Além destas pérolas, o espectáculo servirá também para os Clã apresentarem um lote de canções de ‘Rosa Carne’ que habitualmente não tocam ao vivo, casos de ‘Fio de Ariane’ e ‘Gordo Segredo’.
“O disco tem um ambiente especial e por isso permite fazer algo diferente. Como tínhamos a hipótese de estar três ou quatro dias a trabalhar numa sala com qualidade, achámos que deviamos arranjar um cenógrafo – algo a que não costumamos dar muita atenção – e convidar um músico que admiramos. Tivemos ainda a possibilidade de dar espaço ao Arnaldo e fazer algo mais consistente do que um simples dueto numa ou duas canções”, explicou ao CM Hélder Gonçalves, dos Clã.
AFINIDADES REAIS
Para Arnaldo Antunes, esta foi uma oportunidade ‘imperdível’. “Fazia tempo que a gente não se via. Temos uma afinidade artística real, que tem vindo a crescer. Desde a primeira vez que ouvi os Clã, quando me mandaram as suas músicas para o Brasil, achei que faziam um rock muito original. Usam muito os baixos e têm sons de teclados muito originais. Por isso, acabei por escrever-lhes canções muito adequadas ainda para ‘Lustro’ (o anterior álbum dos Clã). A minha voz timbra muito bem com a da Manuela e este concerto é a extensão de uma parceria muito agradável. Ainda não me sinto um membro dos Clã, mas sou um sério cúmplice”, explicou o músico brasileiro.
Já a forma como Arnaldo “trabalha as palavras em português” e como “consegue que os sentidos surjam dos sons” é, por seu turno, a “fonte inspiradora” que Manuela Azevedo reconhece na parceria com Arnaldo Antunes. Uma ligação que promete, muito em breve, “voar” até ao Brasil, onde Arnaldo Antunes tenciona levar os Clã para uma série de espectáculos.
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