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Correio da Manhã

Cultura

"O corpo precisa de ginástica, a alma precisa de exercício"

Isabel Magalhães escreveu 'Ser em vez de Ter', livro em que partilha com os leitores a sua filosofia de vida. Pretexto para uma conversa sobre literatura de auto-ajuda.
10 de Março de 2014 às 15:07
Isabel Magalhães: "Parar todos os dias algum tempo para descobrir o que é realmente importante na nossa vida e seguir a nossa voz interior é o mais indicado. E necessário"
Isabel Magalhães: 'Parar todos os dias algum tempo para descobrir o que é realmente importante na nossa vida e seguir a nossa voz interior é o mais indicado. E necessário' FOTO: D.R.

Correio da Manhã – Neste livro pretende partilhar uma experiência de vida que é sua, com os potenciais leitores. Quando começou a pensar que aquilo que são descobertas suas podiam ser partilhadas por outras pessoas?

Isabel Magalhães – Por princípio, partilho tudo aquilo em que creio e que penso ser útil para mim e para os outros. É na partilha que nos enriquecemos e nos aproximamos uns dos outros na verdadeira dimensão do Ser. A ideia para o livro surgiu no contexto de uma campanha eleitoral... Verifiquei que ficava muito por dizer. Sobretudo o essencial. Foi então que a editora me propôs fazer o livro, como forma de transmitir o que verdadeiramente me move e a forma como encaro a vida.

 

Definiria este livro como uma obra de auto-ajuda?

Não pensei nele como tal, mas as pessoas acabam por classificá-lo dessa forma e não me importo com isso. O que é relevante é que as questões que nele refiro suscitem reflexão e diálogo sobre quem realmente somos.

 

Que impressão tem desse tipo de publicação? Acha que as experiências de vida são partilháveis? E que estes livros "ajudam" mesmo?

Leio muita coisa e de vez em quando também leio livros chamados de auto-ajuda. Gosto mais de uns do que de outros. Acho que as experiências de vida são e devem ser partilháveis, na medida em que algumas vezes nos mostram caminhos que ainda não considerámos e nos podem servir para encarar a nossa experiência de uma outra forma. Às vezes, as narrativas dos outros libertam-nos de dúvidas ou de medos, contribuindo para o nosso crescimento.

A quem destina a obra? Tem tido alguma reação por parte das pessoas que já a leram?

Como julgo resulta claro do próprio livro, destina-se a quem tiver curiosidade, não só sobre o que me vai na alma, como também pelo que vai na sua. Tenho tido bastantes reações, umas por ação, outras por omissão. A esmagadora maioria das pessoas que leu o meu livro tem reagido de forma bastante positiva e ativa, refletindo, discutindo e partilhando sobre as questões e sentimentos que nele exploro, seja privadamente, seja aquando das apresentações públicas do mesmo, criando-se mesmo situações de grande empatia. Outros, poucos confesso, terão lido o meu livro e, apesar de me encontrarem amiúde, nunca o comentaram comigo…

 

Diria que hoje em dia a religião já não responde a todas as necessidades espirituais das pessoas? E que por isso há caminhos espirituais próprios, que cada vez mais pessoas pretendem dar a conhecer?

Todas as religiões assentam, bem vistas as coisas, nos mesmos princípios base. Portanto pouco importa a religião ou caminho espiritual que se professe. Acho que as religiões podem – e devem – ter um papel fundamental no crescimento espiritual das pessoas. Assim como o corpo precisa de ginástica, também a alma precisa de exercício. A mudança de paradigma impõe, porém, que as religiões se adequem ao nível de excelência, de verdade, de respeito, de amor, de compreensão, de coragem e de felicidade que, todos e individualmente, hoje em dia exigimos. É preciso que todos tomemos consciência de que a matéria é apenas um exercício para o espírito e não o contrário.

 

Este foi o primeiro de outros livros do género, ou resume tudo o que pretendeu dizer?

Tenho muito mais para dizer, mas talvez não seja forçosamente em livro. Gostei de escrever este e talvez venha a repetir a experiência. Ou não. Para já, estou feliz com este trabalho e com a oportunidade de crescimento espiritual que me proporciona, ao partilhar e discutir com outros estes temas.

 

Tem algum ‘guru’ do auto-conhecimento? E recomenda-o? Que outros títulos de livros semelhantes recomendaria às pessoas?

Há, actualmente, muitas pessoas que se debruçam sobre o assunto e muitos ajudam-nos na procura do auto-conhecimento. Também há mais abertura de espírito para isso, mais gente curiosa sobre o que esses autores têm para dizer. Mas o guru mais importante é o que temos dentro de nós. Parar todos os dias algum tempo para descobrir o que é realmente importante na nossa vida e seguir a nossa voz interior é o mais indicado. E necessário. Não é bom estar sempre enterrado até às orelhas no mundo exterior. O nosso é o que conta e o único que nos pode trazer felicidade e todas as pistas de que necessitamos. Aliás, todos os 'gurus' verdadeiros repetem esse conselho. Temos, dentro de nós, tudo o que é necessário para guiar a nossa vida de uma forma melhor e mais feliz. É uma grande lição que todos temos de estudar, aprender e pôr em prática: ser honestos e fiéis a nós próprios.

PERFIL

Isabel Magalhães nasceu em 1956, é advogada e jurisconsulta. Estava associada à criação da Fundação Cascais, foi vereadora da câmara local e, recentemente, esteve na direção do Movimento Ser Cascais. O seu livro 'Ser em vez de Ter' está publicado pela rumoresdenuvens edições.

Cultura Entrevista Isabel Magalhães 'Ser em vez de Ter' rumoresdenuvens edições
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