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Correio da Manhã

Cultura
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O dia da confirmação

Que o cartaz era de qualidade não restavam dúvidas, agora que a receptividade do público ia ser tão estrondosa como a que anteontem se viu em Paredes de Coura, poucos se arricariam a dizer.
19 de Agosto de 2005 às 00:00
Os Arcade Fire provaram no Minho que podem vir a ser uma das grandes bandas do futuro
Os Arcade Fire provaram no Minho que podem vir a ser uma das grandes bandas do futuro FOTO: Sérgio Freitas
Numa noite que, poderá ser considerada uma das melhores de sempre em festivais portugueses, juntou os consistentes Queens of Stone Age (QOTSA), os consagrados Pixies e os promisssores Arcade Fire. Uma aposta ganha da organização, que tem agora a espinhosa missão de não baixar o nível que este ano o certame patenteou. Não será missão nada fácil...
A noite já ia longa quando os QOTSA subiram ao palco para um regresso, dois anos depois de ali terem actuado. E se o líder Josh Homme afirmou que este era um sítio magnifico para se tocar e ideal para um festival de música, não foi pelo concerto de anteontem que mudará de ideias. O recinto estava cheio como um ovo (mais de 25 mil pessoas) e a clamar para que os QOTSA começassem a debitar os primeiros acordes.
A banda não desiludiu, com um rock tão poderoso quanto soturno. As bandas ‘normais’ limitam-se a tocar o que fazem em disco. Os QOTSA não, reinventam as músicas. Destaque para ‘No One Knows’, com variações rítmicas incríveis e duas guitarras digladiando-se, soou melhor do que nunca. É verdade que a banda perde força com as saídas de Nick Oliveri e Mark Langman, mas a força e potência dos temas está lá. Basta recordar a sequência arrebatadora de ‘Litlle Sister’ e ‘In My Head’, do novo ‘Lullabyes to Paradise’.
Seguiram-se os não menos esperados Pixies. E se o punk garrido e por vezes estridente está lá, a atitude já era... Agora os Pixies são mais um projecto recauchutado, que cativa os saudosistas, mas sem a pretensão de cativar novos públicos.
Destaque ainda para a banda revelação do ano, os Arcade Fire, que demonstraram que dentro de pouco tempo podem ser uma das melhores bandas da cena internacional. O público de Coura acolheu em força o novo projecto e provou a competência e atitude de temas como ‘Heighbrohood’, ‘Power Out’ e ‘Rebelion’.
KAISER CHIEFS NO HOSPITAL
O músico Ricky Wilson, líder do grupo Kaiser Chiefs, passou a noite de terça para quarta-feira no hospital de St.º António, no Porto. Tudo porque, como demos conta na edição de ontem, Ricky se ‘espalhou’ no palco no decurso de um dos seus muitos malabarismos. Na ocasião, o músico permaneceu em palco, mas após o concerto foi conduzido ao hospital onde os médicos o trataram a uma rotura de ligamentos num tornezelo. Ricky está em recuperação e já fez saber que os Kaiser Chiefs não vão cancelar nenhum dos seus espectáculos.
Entretanto, quem se apresentou em Paredes de Coura a recuperar de uma operação ao joelho foi Josh Homme, dos QOTSA. O músico foi operado há menos de um mês, depois de um acidente em palco, num concerto na Austrália.
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