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Correio da Manhã

Cultura
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O dia em que os Xutos tocaram sete minutos

Banda subiu ao palco pela primeira vez a 13 de janeiro de 1979, então nos Alunos de Apolo.
Miguel Azevedo 12 de Janeiro de 2019 às 01:30
Estreia ao vivo nos Alunos de Apolo, em Lisboa, é um dos momentos mais marcantes da história dos Xutos & Pontapés e do rock português
Zé Pedro em concerto com os Xutos & Pontapés em 1987
Xutos & Pontapés
Estreia ao vivo nos Alunos de Apolo, em Lisboa, é um dos momentos mais marcantes da história dos Xutos & Pontapés e do rock português
Zé Pedro em concerto com os Xutos & Pontapés em 1987
Xutos & Pontapés
Estreia ao vivo nos Alunos de Apolo, em Lisboa, é um dos momentos mais marcantes da história dos Xutos & Pontapés e do rock português
Zé Pedro em concerto com os Xutos & Pontapés em 1987
Xutos & Pontapés
A madrugada já ia alta, para lá das três da manhã, quando Tim e Zé Pedro pousaram os instrumentos e deram por terminado o concerto. Antes, já Zé Leonel, o vocalista, tinha saído pela frente do palco e Kalú, que tinha levado uma injeção na tropa, seguiu-lhe os passos.

Ao final de sete minutos, os Xutos & Pontapés davam por terminado o seu primeiro concerto ao vivo, então nos Alunos de Apolo, uma coletividade lisboeta de danças de salão que a 13 de janeiro de 1979 recebia, em Portugal, a festa dos 25 anos do rock n’roll.

Já lá vão 40 anos, mas as memórias ainda perduram. "Tocámos quatro músicas em sete minutos" sublinha Kalú.

"Também não era preciso mais tempo, afinal de contas já tínhamos feito tudo o que sabíamos", acrescenta Tim, entre risos. A banda tinha apenas feito dois ensaios, um deles uma hora antes do concerto e, como recordava Zé Pedro numa entrevista concedida ao CM, por altura dos 35 anos de carreira, "estava tudo muito colado com cuspo".

Reza a história, no entanto, que a atuação foi demolidora. Alguns responsáveis pela coletividade chegaram mesmo a pensar em terminar com a "barulheira", uma intenção que caiu logo por terra quando alguém se lembrou que aquilo podia gerar a revolta do público. "É malta nova e nós temos de nos aguentar", disse, à data, um dos gerentes.

Ainda sem que nada o fizesse adivinhar, o facto é que os Xutos assinaram ali um dos mais míticos concertos da história da música portuguesa, ainda sem Gui e João Cabeleira. Em seguida saíram para comemorar. Afinal, também Zé Pedro tinha pisado um palco pela primeira vez (Kalu, Tim e Zé Leonel já tinham experiência de outros projetos).

Sem darem conta do feito, aqueles putos que, só sonhavam em fazer música, começavam ali, à sua maneira, a escrever parte desta coisa chamada rock português.

SAIBA MAIS 
13
discos de estúdio foram lançados pelos Xutos & Pontapés ao longo dos 40 anos de carreira, mas entre coletâneas e álbuns ao vivo já são 24 registos.

Novo álbum
Grupo lança novo trabalho dia 25. O disco chama-se ‘Duro’, conta com alguns temas escritos ainda por Zé Pedro, e é apresentado nesse dia no espaço Lisboa ao Vivo.

Morte
O guitarrista Zé Pedro morreu a 30 de novembro de 2017, vítima de doença prolongada.
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