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Correio da Manhã

Cultura
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O fado sentido de Saura

A aproximação à cidade faz-se a partir do Tejo com o Terreiro do Paço e o Castelo, a Mouraria e Alfama cada vez mais próximos, enquanto isto, no ar, Carlos do Carmo canta ‘Fado da Saudade’... Estas primeiras imagens oficiais do filme do realizador espanhol Carlos Saura, ‘Fados’, foram ontem visionadas no Palácio da Mitra, em Lisboa.
14 de Dezembro de 2006 às 00:00
O fado sentido de Saura
O fado sentido de Saura FOTO: Manuel Moreira
A cerimónia juntou ao realizador, o produtor Ivan Dias, o autarca Carmona Rodrigues e o vereador da Cultura e presidente da EGEAC, José Amaral Dias, a quem coube anunciar a boa nova: um milhão de euros de comparticipação.
Em causa esteve a apresentação oficial do guião e do elenco do terceiro e último filme da trilogia de Saura sobre a canção urbana e, depois de ‘Flamenco’ e ‘Tango’, a música agora é outra... “É um atrevimento vir de Espanha a Portugal filmar o Fado”, começou por contar mas logo passou do registo cómico dos primeiros filmes ao confessional que pretende imprimir a este último: “sentido e emotivo”.
E, além de Camané, Mariza e Carlos do Carmo, que assessorou o realizador na direcção musical, integram o elenco músicos do mundo: de Cesária Évora a Chico Buarque, de Lura a Caetano Veloso e tantos outros. Pelo guião falou o produtor Ivan Dias, lembrando que na origem do filme esteve um documentário etno-musicológico, de que resultou “a visão de um artista sobre o fado e a sua história” mas não só e daí o plural: ‘Fados’.
O filme aposta na projecção dinâmica de imagens de Lisboa que, nas palavras de Carmona Rodrigues, “podia chamar-se a canção do fado”. Conclusão prevista dentro de seis semanas, ‘Fados’ é a esperança na recandidatura do Fado a Património Imaterial da Humanidade.
CAMANÉ IMPRESSIONA REALIZADOR
Sem desprestígio para Mariza e Carlos do Carmo, foi a voz de Camané que mais forte impressão causou a Carlos Saura. Confrontado com a inesperada preferência do realizador, Camané recordou o primeiro encontro, o trabalho com o realizador e a sua participação no filme.
“Fico contente por ele ter gostado tanto de me ouvir e também pelo facto de ter contribuído para que se entusiasmasse tanto com o filme. Conhecemos-nos num espectáculo que fiz nos 40 anos do ‘Embuçado’ (parte do qual integrado no meu segundo disco) e foram duas noites que correram muito bem. Ele é uma pessoa perfeitamente normal, acessível e simpática, por quem tenho um enorme respeito como realizador e o facto de se ter interessado a este ponto pelo Fado, só pode contribuir para a sua melhor divulgação. A minha participação resume-se a dois fados que vou cantar a partir de dois poemas de Fernando Pessoa: ‘Esta Coisa da Alma’ (título do meu terceiro disco) e ‘Mote’, ambos regravados há quinze dias se tanto... São dois fados bastante tradicionais embora renovados e que são da escolha do próprio Carlos Saura”. concluiu.
PERFIL
Carlos Saura nasceu em 1932 numa família de artistas e concluiu o curso de Cinema em Madrid, em 1957. Após breve incursão em comédias populares, cedo, encontra o seu estilo na crítica social, de que é exemplo ‘Golfos’ (1960). O reconhecimento chega com o Festival de Berlim que lhe distingue ‘A Caza’ (’65) e ‘Peppermint Frappé’ (’67).
Com ‘La Prima Angélica’ (’73) e ‘Cria Cuervos’ (’75) conquista Cannes e com ‘A Mama Cumple 100 Años’ (’79) é nomeado para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro. É também seu ‘Marathon’ (’93): o filme oficial dos Jogos Olímpicos de Barcelona.
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