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Correio da Manhã

Cultura
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O futuro é de constante batalha

A falta de pessoal e de dinheiro é o principal problema dos museus portugueses, que amanhã, comemoram o seu Dia Internacional. Em entrevista, o director do Instituto Português de Museus (IPM), Manuel Bairrão Oleiro, fala sobre esta e outras questões e mostra-se optimista quanto ao futuro: além de vontade política, acredita que os museus precisam de muito dinamismo.
17 de Maio de 2005 às 00:00
O futuro é de constante batalha
O futuro é de constante batalha FOTO: Pedro Catarino
Correio da manhã – Face à actual crise dos museus, há motivos para se comemorar o Dia Internacional?
Manuel Bairrão Oleiro – Entendo que sim. Esta comemoração é uma maneira de os museus evocarem a sua actividade e capacidade. Independentemente das dificuldades, devem comemorar devidamente o seu dia. E é isso o que vai acontecer. Amanhã, os museus vão ter uma programação muito variada, intensa e interessante.
– Na sua opinião, quais são as principais razões da crise?
– Esta não é uma situação nova. Existem dificuldades orçamentais dos serviços públicos e não apenas dos museus. A situação tem vindo a agravar-se, sobretudo porque tem havido um elevado número de pessoas a reformarem-se e que não foram substituídas. Ou seja, há menos pessoas a trabalhar nos museus. Por outro lado, o orçamento de funcionamento tem-se mantido sem crescimento. Portanto, as dificuldades que existem acabam por se agravar a cada ano que passa.
– Quais as medidas necessárias para resolver estas questões?
– Recentemente, a ministra da Cultura (Isabel Pires de Lima) anunciou a entrada de mais 200 pessoas ao abrigo de um protocolo de cooperação com o Instituto do Emprego e Formação Profissional. Estas não são promessas mas sim realidades. Os novos funcionários começam a trabalhar a partir de Junho e já vão ajudar a resolver o problema da falta de pessoal. As outras questões são mais complexas de resolver e terá de haver uma reflexão maior sobre as formas como podem ser resolvidas.
– Até que ponto os museus dependem do IPM? Não acha que deveriam ser mais autónomos, uma vez que a dependência tende a criar um certo comodismo?
– Os museus dependem, na quase totalidade, do Estado. Contudo, existem apoios mecenáticos que vão tendo alguma expressão. Acho que o Estado tem obrigações na conservação e salvaguarda do património cultural e deve assegurar o funcionamento dos museus. Não quer dizer que os museus não possam e não devam procurar outras fontes de apoio, o que têm vindo a fazer. Também é verdade que a actual situação económica do País não ajuda muito.
Por outro lado, não há muitas formas de se arranjar dinheiro. Os museus podem contar com o apoio de mecenas e dos grupos de amigos. Têm estabelecido parcerias com as câmaras municipais e escolas mas a expressão desse conjunto de apoios ainda tem, em termos percentuais, um peso relativo.
– Tem-se verificado um aumento de visitantes? O que devem fazer os museus para atrair mais público?
– Nesta altura do ano não se verifica um grande aumento de visitantes. É durante o Verão que os museus recebem mais público. Não há dúvidas de que dependem dos turistas estrangeiros mas também dos nacionais. Seria desejável que os museus pudessem ter uma programação regular, devidamente divulgada e anunciada.
Todos os anos, propõem um conjunto de iniciativas para as quais o IPM tenta encontrar suporte financeiro. Mas como não é possível corresponder a todas as propostas, tem de haver um equílibrio entre o que é proposto e o que acaba por se realizar.
– Que futuro prevê para os museus portugueses?
– Vejo um futuro que tem de ser de constante dinamismo, de constante vontade para levar à frente os programas, e de constante batalha para ultrapassar as dificuldades. Isso é o que tem sido feito pelos directores dos museus e pelas suas equipas. E é, com certeza, o que vai continuar a acontecer. Há ainda uma vontade política anunciada pela ministra da Cultura para encontrar soluções para esses problemas.
ENTRADA LIVRE PARA RECEBER PÚBLICO
‘Ateliers’ para crianças, oficinas de expressão plástica, lançamentos de livros, exposições e passeios são algumas das actividades preparadas para assinalar amanhã o Dia Internacional dos Museus.
Com entrada livre, os museus de Norte a Sul do País – sob tutelas diferentes – convidam o público a (re)descobrir as suas colecções e os seus espaços.
O programa de actividades dos espaços tutelados pelo Instituto Português de Museus (IPM) pode ser consultado em www.ipmuseus.pt. E, até dia 22, na compra de um Passe dos Museus do IPM, o visitante tem 20 por cento de desconto nas publicações e produtos da instituição à venda nas lojas existentes nos museus.
‘Museus, Pontes entre Culturas’ é o tema para a 27.ª edição do Dia Internacional de Museus, que realça o papel deste espaço como mediador entre culturas e como lugar de encontro de culturas, onde conflui a pluralidade de heranças culturais dos povos.
PERFIL
Nome: Manuel Bairrão Oleiro
Data de Nascimento: 1 de Novembro de 1953
Naturalidade: Abrantes
Estado civil e descendentes: Casado. Dois filhos.
Percurso e funções actuais: Licenciado em História. É director do IPM desde 2002. Entre 1997 e 2002 foi o seu subdirector. Faz parte do quadro do pessoal do IPM desde 1992.
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