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Correio da Manhã

Cultura
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O jazz jovial de Allen

Entrou quase tímido mas depressa contagiou a audiência e, no final, até nas mesas se dançava. O autor de tamanha proeza foi o realizador de cinema e músico amador Woody Allen.
2 de Janeiro de 2005 às 00:00
Na estreia absoluta em palcos nacionais, na festa de fim de ano do Casino Estoril, Allen entrou no palco do Salão Preto e Prata pouco passava da uma da manhã, já vinha a tocar o clarinete e com ele só vinham o contrabaixo e o banjo da sua ‘New Orleans Jazz Band’.
A sala ficou em silêncio para ouvir o som do pequeno hino com que Allen iniciou a sua actuação. Woody domina o clarinete com grande à-vontade, trazendo harmonias cheias de riqueza e uma forma de tocar sincopada e com trinados, que lhe personalizam o estilo.
Depois dos camarões de Moçambique do jantar de fim de ano, chegou então a música vinda de uma terra, onde também os camarões são emblema, concretamente da gastronomia ‘cajun’ dos ‘bayous’ de Baton Rouge.
A banda entrou em palco o ritmo marcado pelo banjo, contrabaixo e bateria alastrou aos foliões e, num ápice, a pista de dança estava cheia de pares a dançar a irradiante música.
FELIZ COM O PÚBLICO
Durante cerca de uma hora e meia toda a gente dançou e fotografou um Woody Allen tranquilo e preocupado apenas em tocar o melhor possível.
Visivelmente feliz com a adesão do público, Allen apresentou então os membros da banda e tocou um ‘encore’ após entusiásticos aplausos. Foi, de facto, inesquecível a estreia desta banda amadora, tão genuína e transmissora das raízes do jazz e que preserva de forma notável o estilo ‘Dixie’.
Eddie Davis no banjo, e director da orquestra, Simon Wettenhall no trompete, Jerry Zigmont em trombone, Cynthia Sayer no piano, Conal Fowles no contrabaixo e Robert Garcia na bateria foram os cúmplices de Woody nesta magnífica actuação.
As interpretações de ‘Sweet Georgia Brown’ e ‘Down By The Riverside’, foram as que mais entusiasmo trouxeram a um público que até cantou a acompanhar os vocalistas, em especial o trombonista e o trompetista. Também o homem do banjo e o contrabaixista cantaram esporadicamente.
Allen apenas tocou o clarinete, mas impressionou. Assim como a sua banda, que com uma música contagiante, viva e alegre soube imprimir um ambiente jovial a 2005.
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