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Correio da Manhã

Cultura
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O lado mais negro dos reis dos mares

A prova dos nove, em Portugal, começa já amanhã, com sessões contínuas no dia de estreia. A Disney voltou a apostar alto nesta terceira aventura do temido – e hilariante – pirata Jack Sparrow e as expectativas de retorno também têm a fasquia elevada. Num filme mais negro, menos inocente e elaborado qb, ‘Piratas das Caraíbas: nos Confins do Mundo’ volta a perfilar-se como um sério candidato a recordes de bilheteiras.
23 de Maio de 2007 às 00:00
Jack Sparrow (Johnny Depp, à esq.) tinha de voltar do mundo dos mortos com a ajuda de Will Turner (Orlando Bloom) e outros amigos
Jack Sparrow (Johnny Depp, à esq.) tinha de voltar do mundo dos mortos com a ajuda de Will Turner (Orlando Bloom) e outros amigos FOTO: Peter Mountain
Tal como o anterior ‘O Cofre do Homem Morto’ (2006), o orçamento do filme (de novo) assinado por Gore Verbinski rondou uns astronómicos 225 milhões de dólares (166,8 milhões de euros), minimizados, porém, pelo facto de as filmagens de ambas as películas terem sido realizadas em simultâneo, entre Março e Setembro de 2005.
Quanto à história deixada suspensa na última aventura – e que começou a ser rodada ainda o argumento não estava completo – Jack Sparrow (Johnny Depp) regressa, como é óbvio, do mundo dos mortos. Natural também é a continuidade da saga em torno daquele coração maléfico de Davy Jones, o capitão do soturno navio ‘Holandês’.
Para resgatar o pai do submundo marinho do ‘Holandês’, viajante errante de um universo sem retorno, até onde irá Will Turner (Orlando Bloom)? E será que é desta que o conturbado romance entre este e Elizabeth Swann (Keira Knightley) se concretiza?
protagonismo dividido
Uma coisa é certa: Jack Sparrow não merecia tão injusto castigo e tinha mesmo de regressar à agitação dos mares. Além de ser peça essencial do Conclave dos Nove Piratas – irmandade com relevantes poderes de decisão – como seriam os oceanos sem a sua performance sempre hilariante e manienta?
Mais controlado, nesta aventura Sparrow divide o protagonismo com personagens fundamentais numa trama sombria e cheia de traições.
De volta estão ainda Geoffrey Rush (capitão Barbossa), Bill Nighy (o tentacular Davy Jones) e Naomi Harris (uma dúbia Tia Dalma/Calipso), figuras indispensáveis para desvendar os mistérios pendentes. Em estreia nas aventuras agitadas de mares misteriosos, chapéus tricórnicos e sabres em riste, está Chow Yun-Fat, actor de Hong Kong em destaque na pele do pirata Sao Feng.
DEPP EM CENA PELO NARIZ
Do público espera-se a adesão habitual, lembrando que, em todo o Mundo, as duas primeiras aventuras do pirata de múltiplas personalidades e trejeitos de ir às lágrimas renderam a bela soma de quase dois mil milhões de dólares (1,7 mil milhões), qualquer coisa como uns 1,2 mil milhões de euros.
E por falar nas características do super-herói de carne e osso, destaque para as cenas dos alter-egos de Sparrow em despique e para a entrada de Depp no grande ecrã. Sparrow apenas aparece no filme após alguns (agitados) minutos e distingue-se imediatamente... pelo nariz. Genial o plano gigantesco de um nariz cheio de personalidade... atrás de um amendoim.
CASAMENTO DEBAIXO DE CHUVA
Andavam sempre às turras, qual bem me quer mal me quer, mas agora ou vai ou racha... E rachou mesmo, com um casamento inédito, dançado e muito bem coreografado. No meio de uma batalha naval, eis que a dupla de pombinhos se decide finalmente pelo enlace e, sob chuva intensa (literalmente) – também de estilhaços – celebra-se a tão esperada união entre Orlando Bloom e Keira Knightley. A bordo, claro...
RICHARDS: PAI POUCO PRESENTE
Logo após o primeiro ‘Piratas das Caraíbas: A Maldição da Pérola Negra’, Depp admitiu ter-se inspirado em Keith Richards para compor a sua personagem. Nesta terceira aventura o guitarrista dos Rolling Stones faz uma (pequena) participação especial como pai do capitão Jack Sparrow. Pequena, mesmo! São breves os minutos de Richards em cena. Mas, mal aparece, é impossível não dar por ele...
DETALHES
RECORDE DE BILHETEIRAS
Segundo os especialistas, ‘Piratas das Caraíbas: nos Confins do Mundo’ candidata-se a ultrapassar o recorde de bilheteiras do fim-de-semana de estreia do antecessor, ‘O Cofre do Homem Morto’: 100,5 milhões de euros, já batidos este ano pelos primeiros dias de exibição de ‘Homem-Aranha 3’, com 112 milhões de euros.
SESSÕES CONTÍNUAS
A Ásia (Tóquio) viu o filme ontem. Aos Estados Unidos chega amanhã. Em Portugal a película mostra-se logo a partir da meia-noite: sessões contínuas entre a meia-noite de hoje e as 00h00 de amanhã.
PÚBLICO MAIS VELHO
Gore Verbinski está consciente de que o terceiro capítulo do herói dos mares é para um público mais crescido. “O primeiro filme era mais inocente. A história de amor vai-se complicando e há traições, desconfianças e ciúmes”, afirmou o realizador. Além do mais “a nossa audiência cresceu: os que tinham nove anos (no primeiro capítulo) têm agora 13”.
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