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Correio da Manhã

Cultura
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O MUNDO COLORIDO DE MARC CHAGALL

Um importante conjunto de litografias de Marc Chagall, um dos grandes artistas do século XX, pode ser apreciado a partir de hoje e até 13 de Abril, na Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, em Lisboa.
29 de Janeiro de 2003 às 00:06
A exposição “Marc Chagall - Obra gráfica: 1951 - 1964”, a inaugurar logo, às 18h30, reúne um total de 59 litografias, entre as quais “Les amoureux” (1951), “Couple Ocre” (1952), “Nu dans la fenêtre” (1953-54) e “Notre-Dame en gris” (1955).

Pares amorosos, cenas de Paris, naturezas-mortas e figuras no espaço compõem o universo intimista e colorido de Chagall.

“Não é possível inserir a obra de Chagall em nenhuma escola artística da primeira metade do século XX. Ele foi um pintor isolado”, disse o director da Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, José Sommer Ribeiro.

“Podemos afirmar que há influências cubistas mas a sua pintura não é cubista”, observou, sublinhando: “A sua é uma obra intemporal, feita de sonhos e realidades, plena de poesia, bem característica da sua origem eslava e judaica”.

“De uma imaginação muito grande, sonhador e com uma vida interior riquíssima, Chagall foi um artista muito prolífero, que trabalhou até à morte com grande qualidade”, referiu ainda o responsável.

A IMPORTÂNCIA DA LITOGRAFIA

Artista multifacetado, Chagall trabalhou com porcelana, tapeçaria, vitrais, decorações murais, cenários e guarda-roupas para teatro, tendo-se dedicado ainda à ilustração de obras literárias de Gogol a La Fontaine e à Bíblia.

A litografia foi, contudo, muito importante para o artista. “Penso que me teria faltado qualquer coisa se, excepção feita à cor, em dado momento da minha vida, não me tivesse também dedicado a gravuras e litografias”, disse um dia Marc Chagall.

Na sua pintura, a característica fundamental é a cor, quente e rica, e nesta afirmação o artista foi “muito taxativo”, segundo Sommer Ribeiro. “A pintura não é mais do que o reflexo do nosso eu interior e assim ultrapassa a mestria do pincel. Quase a dispensa.

A cor com as suas linhas contém o vosso carácter e a vossa mensagem”, comentou em vida o pintor.

Além das litografias, na sua totalidade acervo da Fundação Maeght, a mostra inclui igualmente as edições originais ilustradas de “Et sur la terre”, com texto de André Malraux, e “Celui qui dit les choses sans rien dire”, com texto de Louis Aragon.

A mostra, complementada com um catálogo bilingue (português-francês, reúne ainda livros, monografias e catálogos.

Marc Chagall nasceu em 1887 em Vitebsk, na Rússia, no seio de uma comunidade judaica. Este facto influenciou a sua carreira e muitas das suas obras inspiraram-se no folclore russo e na mística do judaísmo oriental.
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