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Correio da Manhã

Cultura
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O NOSSO PÚBLICO NÃO É DE MODAS

A Ala dos Namorados está de regresso ao local do ‘crime’: amanhã e depois actua no Teatro S. Luiz, em Lisboa, onde tudo começou há precisamente onze anos. O CM falou com Manuel Paulo, um dos elementos.
13 de Maio de 2003 às 00:00
Correio da Manhã – A que se deve estes espectáculos?
Manuel Paulo – Essencialmente à necessidade que sentimos de registar a actual formação da Ala dos Namorados que é a melhor que tivemos até hoje. Por outro lado, há um repertório do grupo que queremos ver tocado ao vivo e que inclui aquelas canções que são menos tocadas na rádio, mas que não são nada inferiores aos singles. Aliás, por isso mesmo vamos registar estes espectáculos para serem editados em disco.
– Falou em nova formação. Quer apresentá-la?
– Para além de mim, do Nuno Guerreiro e do João Gil, a nova formação conta com o Alexandre Frazão (bateria) e com o André Rocha (percussões). Depois, temos também o Ruben Santos no trombone (em substituição do clarinete) que dá uma cor absolutamente fantástica ao grupo.
– A Ala sempre se caracterizou pela colaboração com outros músicos. Convidaram alguém para estes concertos?
– Não. É verdade que, quer em palco quer em estúdio, a Ala nunca se limitou a si própria, mas nesta altura estamos mais interessados em virarmo-nos para dentro do grupo. Aliás, penso mesmo que também vamos seguir por esse caminho no próximo disco de originais.
– E este regresso ao S.Luiz tem um significado especial? Afinal de contas foi lá que tudo começou!
– Sim. O S.Luiz representa muito para todos nós. A mim dá-me muito prazer regressar àquela sala. O primeiro grande espectáculo da Ala em Lisboa, foi no S.Luiz e onde ouvimos o Nuno cantar pela primeira vez, num espectáculo do Carlos Paredes. Mas, para além disso, acho que qualquer sala do tipo do S.Luiz é o “habitat” ideal para a Ala dos Namorados. Não é muito grande nem muito pequena. É o ideal para trazer à tona, por exemplo, todo o pormenor de arranjos.
– Estes são os vossos primeiros espectáculos em mais de um ano. A que se deveu a paragem? Tivemos mesmo de fazer um pousio. Eu próprio estive a fazer outras coisas, entre as quais trabalhos de produção. Para além disso, neste momento estou a trabalhar com os Cabeças no Ar e também a gravar o meu disco a solo. Foi importante parar e diversificar, até porque estivemos quase dois anos a viver juntos.
– Este concerto vai partir para outros pontos do País?
– Sim, apesar deste ser um ano de crise e de toda a gente estar a tocar menos. Já temos coisas marcadas dentro e fora de Portugal. Ainda este mês, por exemplo, vamos ao Porto.
– Estão quase a cumprir dez anos de carreira. Têm motivos para estar satisfeitos com o que conseguiram?

– Sim, sem dúvida nenhuma. Nós nunca vendemos a alma ao diabo e hoje temos orgulho em dizer que sempre fizémos aquilo que queríamos. Por isso também sempre andámos por vários caminhos em todos os nossos discos, nunca perdendo aquele que é um denominador comum: a identificação de uma portugalidade.
– Consegue traçar, neste momento, o perfil do públlico da Ala?
– Acho que há vários perfis. Acima de tudo sinto que o nosso público gosta de música e isso dá-me muito prazer. E sei que não é um público de modas, nem nunca foi mesmo quando tivemos canções que eram muito ouvidas como o “Solta-se o Beijo” ou “o Fim do Mundo”. O nosso público gosta de ouvir todas as nossas canções. E ainda bem que assim é, sobretudo neste momento, em que acho que a nossa vertente pop está um pouco mais de lado. Estamos mais a voltar à linguagem do princípio.
– E para quando mais originais?
– Ainda é incerto, embora já estejamos a trabalhar nisso. A nossa ideia é entrar em estúdio lá para o final deste ano ou início do próximo.
– Pode revelar-se alguma coisa?
– É muito permaturo ainda, mas posso dizer que o próximo disco vai ter um som mais maduro.
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