Barra Cofina

Correio da Manhã

Cultura
6

O perfume de Murphy

E ao segundo dia Peter Murphy deu uma reviravolta a um festival que até aí não tinha vivido um momento verdadeiramente empolgante. Depois deste concerto de sexta-feira à noite, pode mesmo dizer-se que, em Vilar de Mouros, há um período antes e depois de Peter Murphy. Perante dez mil pessoas, o ex-Bauhaus conseguiu repetir o sucesso que já havia granjeado no festival Sudoeste em 2002.
31 de Julho de 2005 às 00:00
O britânico Peter Murphy apresentou o melhor que o pós-punk dos anos 80 produziu
O britânico Peter Murphy apresentou o melhor que o pós-punk dos anos 80 produziu FOTO: Sérgio Freitas
Em grande forma, enchendo por completo o palco e a alma dos fãs, o cantor britânico a viver na Turquia e convertido ao islamismo, mostrou que os anos por ele não passam. O sucesso foi tanto que não se livrou de alguns estridentes “I love you!” do público feminino.
A entrada em palco foi paradigmática. Murphy percorreu-o por inteiro como que dando-se a conhecer e conhecendo o público. Como se tal fosse preciso... A química foi perfeita.
Revivalista por excelência, Murphy apresentou um espectáculo com o melhor que o pós-punk da década de 80 produziu. As calças à boca de sino e a camisa transparente eram sinais do ‘glamour’ que espalha em palco. Com incursões ao novo álbum, ‘Unshattered’, Peter Murphy teve ainda tempo para recordar Iggy Pop com um energético ‘Lust For Life’, e um memorável ‘Transmission’, dos Joy Division.
Mas o dia já tinha começado bem com o regresso, 23 anos depois, dos Echo & The Bunnymen, que fez muitos saudosos voltarem a Vilar de Mouros para recordar o concerto de 1982. Se a qualidade se mantém intacta, a capacidade de empolgar está, no entanto, um pouco diluída.
O regresso de Blues Explosion aos palcos portugueses confirmou que esta banda de blues punk, foi talhada para festivais. O público gostou do estilo minimalista (uma bateria, duas guitarras) e agitou o esqueleto até à exaustão. Nota ainda para o deprimente concerto dos Squeeze Theeze Pleeze que, apesar das boas intenções, tiveram apenas cerca de 50 pessoas a assistir.
Hoje, o festival termina com a esperada actuação do ex-Led Zeppelin, (22h45) e com Jorge Palma (00h45) a fechar a noite.
CINCO DETENÇÕES
Depois de um primeiro dia calmo, anteontem e ontem foram dias de agitação para a patrulha da GNR. Cinco detenções até ao momento, motivadas por injúrias, agressões e furtos.
O caso mais grave aconteceu ontem, quando um indivíduo que queria comprar uma ‘T-shirt’ se viu impedido de o fazer quando os militares investigavam suspeitas de contrafacção. “O indivíduo resistiu, pois disse que queria comprar a camisa de qualquer forma. O nosso militar tentou impedir e ele agrediu-o a soco”, conforme explicou ao CM o capitão Borilo Rocha. O agressor foi detido e será presente ao Tribunal de Caminha.
Os furtos em tendas são o mais comum dos ilícitos no zona do festival e já levaram à detenção de um casal espanhol apanhado em flagrante delito. As restantes duas detenções foram motivadas por injúrias a um GNR.
CALMA NA CRUZ VERMELHA
No posto da Cruz Vermelha, apesar das 147 pessoas atendidas, nada de grave há a registar. “Nem os tradicionais excessos de álcool têm sido frequentes”, notou Mário Fernandes. Os casos mais frequentes têm sido desmaios e picadas de insectos.
'Ó ELSA!' A NORTE
O anúncio do Festival do Sudoeste, que acaba com um estridente “Ó Elsa!” é o novo epíteto do festival. É passar pelas tendas e ouvir a frase que logo gera uma onda de repetição. Mas há sempre quem responda revoltado: “Vai prò Alentejo, pá...!”
CINEMA É UM SUCESSO
O cinema ao ar livre tem sido um sucesso das madrugadas. Anteontem, apesar do frio, pelo menos 300 pessoas juntaram-se para ver o filme português ‘Balas e Bolinhos’. “Gosto muito desta ideia e é uma boa forma de ocupar o tempo”, confessa uma festivaleira.
Ver comentários