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Correio da Manhã

Cultura

O regresso do rei

O‘rei’ da música romântica com sotaque brasileiro, Roberto Carlos, está de volta a palcos lusos, para dois concertos, hoje e amanhã, no Pavilhão Atlântico, em Lisboa. Na bagagem traz ‘Amor Sem Limite’, o primeiro disco composto após o falecimento da mulher, Maria Rita, em 1999.
11 de Março de 2005 às 00:00
Roberto Carlos foi um dos maiores ídolos da juventude brasileira
Roberto Carlos foi um dos maiores ídolos da juventude brasileira FOTO: Tiago Sousa Dias
Com 49 discos lançados no Brasil e mais de uma centena no exterior (alguns em espanhol, inglês, francês), além de vencedor de inúmeros prémios internacionais (como o Festival de San Remo ou os Grammy), Roberto Carlos está hoje para a América do Sul da mesma maneira que os Beatles estiveram para a Inglaterra e Frank Sinatra para os Estados Unidos.
Primeiro com o grupo Sputniks (1956) e depois com os Snakes (1957), no qual conheceu Erasmo Carlos (o seu maior amigo e principal compositor), deu origem ao primeiro movimento de rock brasileiro e tornou-se no maior ídolo da juventude em terras de Vera Cruz, graças a temas como ‘Splish Splash’, ‘O Calhambeque’ ou ‘É Proibido Fumar’.
Nos anos 60, continuou a explorar o filão do rock mas, a partir da década de 70, com o esmorecimento do chamado movimento da ‘jovem guarda’, assume a maioridade, muda de estilo e transforma-se no maior cantor romântico do hemisfério Sul. Nessa linha, surgem grandes êxitos como ‘Detalhes’, ‘Emoções’, ‘Café da Manhã’, ‘Força Estranha’ou ‘Guerra dos Meninos’.
Mas apesar do estrondoso sucesso que alcançou ao longo de 50 anos de carreira, a vida de Capixaba de Cachoeiro do Itapemirim (o seu verdadeiro nome) nem sempre foi um mar de rosas.
Um dos momentos mais difíceis da vida de Roberto Carlos, a morte da mulher em 1999, vítima de cancro, viria a provocar novo volte-face na sua carreira.
Demasiado abalado para lidar com as luzes da ribalta, Roberto Carlos afastou-se das lides musicais, quebrando uma incrível façanha que mantinha desde 1961: a de lançar um disco por ano. Entretanto, buscou forças e inspiração na religião, de que são exemplo as canções ‘Nossa Senhora’ e ‘Luz Divina’, editadas sempre em períodos natalícios. Em homenagem a Maria Rita, editou finalmente ‘Amor Sem Limites’, disco que o cantor apresenta hoje e amanhã no Atlântico.
Pela primeira vez, Roberto Carlos assinou sozinho todas as canções do disco, que são um relato de sua história de amor com Maria Rita, como é o caso de ‘O Grande Amor de Minha Vida’, ‘Amor Sem Limite’, ‘O grude (um do outro)’, ‘O Amor é Mais’ ou ‘Eu Te Amo Tanto’.
Velhos êxitos como ‘Eu Sou Terrível’, ‘O Taxista’, ‘Cento e Vinte... 150...200 km por Hora’, ‘Parei na Contramão’ e ‘Calhambeque’, também não deverão faltar no alinhamento dos espectáculos, o segundo dos quais já esgotado.
UM AMOR ETERNO
Corria o ano de 1977 quando Roberto Carlos, após o final de um concerto, viu entrar no seu camarim Maria Rita, então com 16 anos. O rei encantou-se com a jovem, mandou-lhe flores no dia seguinte, mas a família de Maria Rita não quis ver a filha adolescente ser cortejada por um homem 20 anos mais velho. Passaram-se 14 anos até o casal se reencontrar mas, a partir de então, não mais se separaram.
Erasmo Carlos, recorda-a como “uma mulher de rosto meigo, sorriso franco e personalidade forte”, que se sentava “sempre na terceira fila e era a primeira a chegar ao camarim”, para entregar ao cantor a toalha branca que lhe enxugava o suor. Morreu aos 38 anos, mas não sem antes ter protagonizado uma das mais belas histórias de amor que o Brasil conheceu.
CURIOSIDADES
ESTREIA
Roberto Carlos estreou-se aos nove anos, na rádio, a imitar uma canção do cantor Bob Nelson.
MARACANÃ
Se colocados lado a lado, os discos de Ouro, Platina e Diamante conquistados por Roberto Carlos dariam a volta ao estádio do Maracanã.
VENDAS
É o artista latino com mais discos vendidos em todos o Mundo: 83 milhões de exemplares.
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