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Correio da Manhã

Cultura
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O respeito pelo toureio a pé

Tem sido tradição em Portugal que os toiros maiores sejam destinados aos cavaleiros.
23 de Maio de 2007 às 00:00
Dizer-se que o toiro é o elemento essencial da festa é lugar comum. Mas manda a verdade que se afirme que, ontem, hoje e amanhã, o toiro é fundamental para que o toureiro transmita ao público a sua arte e o seu valor, este na justa proporção do perigo que o toiro transmita às bancadas.
Tem sido tradição, em Portugal, que perante um curro de toiros da mesma ganadaria sejam destinados aos cavaleiros os maiores, coisa com a qual não concordo. Mais do que o peso, deve contar o tipo, a morfologia e a linha a que pertence o animal, considerando pai e mãe dentro das próprias características da ganadaria.
Dizer-se que ir para um matador um toiro maior do que para um cavaleiro significa que é desprestigio e afronta para com esse cavaleiro e forcados nada tem a ver com a possível realidade.
Se um toiro é maior mas aparenta melhores condições para investir para o toureio a pé não faz sentido que vá para a lide a cavalo (que tem menos exigências quanto às investidas) por troca com um mais pequeno que não reúna as características mínimas necessárias ao toureio a pé. Tudo o resto é demagogia, talvez ignorância, ou má-fé para com os matadores de toiros.
Por outro lado, iludem-se aqueles que pensam que o toureio a pé pode (re)conquistar novas praças e novos públicos, em zonas habituadas a ver toiros grandes (ali mesmo ou via TVE...), apresentando toiros de reduzido peso e trapio, isto é, reses que não levem verdadeira emoção, desde logo pela sua presença na arena.
Aos matadores portugueses pede-se-lhes mais esse enorme sacrifício. Não se praticando em Portugal a sorte da varas, tudo se complica para que o bom toureio aconteça. Porém, esse bom toureio, tão bom e belo como o que se desenha de salão (...) de pouco valerá se os aficionados e o público em geral não sentirem que aquilo é difícil e perigoso.
Há exemplos do que atrás se escreve. O respeito pelo toureio a pé, em Portugal, passa por esse sacrifício dos toureiros. A melhor forma de se promoverem é darem a cara diante de toiros escolhidos por todas as características menos pela de serem pequenos e de quase nenhuma cara.
Joaquim Mesquita, aficionado e crítico taurino, é também fotógrafo taurino de reconhecidos méritos. Gentilmente cedeu-nos a fotografia da impressionante colhida de Luís Procuna, na Chamusca, por lapso não identificada.
João Salgueiro da Costa, jovem cavaleiro amador, chegou, transmitiu e venceu! Na sua primeira apresentação em público, logo no Campo Pequeno e em directo na TVI, o filho de João Salgueiro honrou a dinastia e deixou no ar a impressão de que pode ir invulgarmente longe.
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