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Correio da Manhã

Cultura
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O ROCK N ROLL ESTÁ VIVO

Quem assistiu quarta-feira ao concerto dos Oasis, em Vigo na Galiza, pôde comprovar que o rock n’ roll continua vivo e de boa saúde. Pelo menos enquanto servido pelos britânicos Oasis.
25 de Julho de 2002 às 22:12
Era quase meia-noite quando os manos Gallagher subiram ao palco do Auditório Castrell, um recinto em anfiteatro ao ar livre muito semelhante ao de Paredes de Coura. Aliás, quando chegámos ao local, nem parecíamos estar em terras de Aznar, tal era a quantidade de cachecóis e bandeiras portuguesas.

Um coro entusiasta grita em plenos pulmões: Por-tugal! Soubemos mais tarde que mais de cem “tugas” viajaram até ao Norte de Espanha para assistir ao concerto dos reis da britpop, que tiveram o seu primeiro momento de glória com “Hindu Times”, o single de apresentação do novo “Heathen Chemistry”.

O público já sabia de cor o refrão e cantava-o como se fosse um dos hits antigos da banda. Liam, o eterno rebelde sem causas, não se deslumbrou com a recepção entusiasta e fitou a audiência juvenil com ar sério e vagamente alienado. Como é de seu apanágio, cantaria o resto da noite curvado sobre o microfone e de mãos nas costas. Há imagens que nunca mudam...

Delírio

O segundo momento da noite aconteceu quando os primeiros acordes da balada “Stop Crying Your Heart” - uma pop delicodoce na linha de “Wonderwall” - soaram no ar. Os cerca de dez mil espectadores acenderam os isqueiros e suspiraram por um amor impossível.

Até ao fim, o ambiente seria de puro delírio rock n’ roll. Um trio de rapazes que não parou de pular a noite toda, de cerveja na mão, clamava pelos velhos hinos, aqueles que fizeram dos Oasis a banda de rock mais bem sucedida da Grã-Bretanha da última década. E não é que as estrelas da noite lhes fizeram a vontade?

De uma assentada deram-lhes com “Morning Glory”, “Cigarretes & Alchool” e “Live Forever”, canções provenientes de “Definitely Maybe” e “What’s the Story (Morning Glory)”. A alma dos Beatles pairava no ar como um fantasma ébrio e alegre. Os fãs portugueses é que não se calavam por um minuto. Noel ouviu-os, deixou-lhes a promessa de regressar ao nosso País para o ano e dedicou-lhes a melódica “She's Electric”.

A plateia lusa foi aos céus e a festa continuou em “Don't Look Back In Anger” e “Some Might Say”, já em encore. Para a despedida, o quinteto recuperou “My Genereation”, dos The Who, mas o público queria “Wonderwall” e “Supersonic”. Não havia nada a fazer. À uma e meia da manhã as luzes do palco apagaram-se. A movida espanhola ia agora começar. Por incrível que pareça, os Oasis foram para o hotel... dormir!

TUDO BONS RAPAZES

Dezenas de fãs ficaram à porta do Hotel onde estavam hospedados os Oasis, esperando horas ao sol por um autógrafo. Mas os manos Gallagher fizeram-lhes a vontade. A arrogância habitual parece ter ficado em Londres. Lá dentro, numa sala climatizada, o CM conversou com Noel, o cérebro da banda, que estava muito bem disposto. Sobre “Heathen Chemistry”, considera-o “a melhor colecção de canções desde Definitely Maybe”.

Depois de dez anos de sexo, drogas e rock n’roll, o guitarrista e compositor confessa ainda ter prazer em andar em digressão. “Quando era jovem era demasiado louco e selvagem. Agora aprecio descobrir outras culturas e andar pelas ruas pelas cidades onde tocamos”. Noel ri-se dos “excessos do passado” e da presunção da banda em assumir-se como “a melhor do Mundo”.

Hoje, jura não se preocupar com os discos que vendem. “O sucesso não dura sempre, mas as canções podem significar eternamente muita coisa para as pessoas”. O músico continua em busca do disco perfeito. Quando isso acontecer, então os Oasis podem desaparecer em paz. Sobre a possibilidade de voltarem a Portugal, Noel confessou que “mais tarde ou mais cedo voltaremos”.
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