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Correio da Manhã

Cultura
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O SAGRADO AMOR DE STING

"Este é um concerto em desenvolvimento. Conforme forem reagindo, logo vemos se continuamos ou não". Anteontem, numa das mais carismáticas salas europeias - o Olympia, em Paris -, Sting desafiou, assim, os cerca de dois mil convidados e fãs durante a apresentação mundial, ao vivo, do seu mais recente álbum, "Sacred Love".
24 de Setembro de 2003 às 00:00
Sacred Love assinala o regresso do músico
Sacred Love assinala o regresso do músico FOTO: d.r.
Quatro anos após a edição de "All This Time", Sting confirma que está em grande forma. Voltou com "Sacred Love", à venda desde a passada segunda-feira. E se, à primeira audição, o álbum pode rotular-se de morno, o mesmo não se pode dizer dos temas quando tocados ao vivo.
Ouvido na aparelhagem de casa, "Sacred Love" dá ares de pouco original, sem grandes novidades, ao estilo próprio e reconhecível de Sting. Mas em palco a conversa é outra. Claro está que importa referir que o músico britânico abriu o concerto com "Walking On The Moon", um dos mais conhecidos temas da banda que liderou, os Police.
De fato clássico, azul riscado, sobre uma "t-shirt" preta de alças, o ex- -vocalista dos Police deslumbrou os fãs de todo o Mundo que encheram a sala onde já tocaram alguns dos nomes mais sonantes do panorama musical.
"Sacred Love" sobe ao palco logo ao segundo tema - "Send Your Love", primeiro single extraído do trabalho - e os batuques e as imagens (computorizadas) projectadas nos três "videowall" devolvem a Sting o jeito tribal, de influências árabes e, até, hindus que o têm caracterizado nos mais recentes trabalhos a solo.
O resto do concerto, que se prolongou por cerca de hora e meia, teve um pouco de tudo: o amor ("Inside"), as baladas nostálgicas ("Dead Man's Row"), a referência constante à religião e aos afectos como em ("Whenever I Say Your Name" interpretado em dueto com a corista Joy Rose, em substituição de Mary J. Blige que dá a voz no disco), o passado ("Forget About the Future"), as guitarradas frenéticas do rock ("This War") e outra vez o amor ("Sacred Love").
No final do espectáculo, um momento único extasia o público: Dominique Miller falha um acorde decisivo mas Sting ajuda-o. Simula ter-se esquecido da letra do tema em causa, "Fields of Gold", para dar tempo ao guitarrista de voltar à batida original. Um gesto simples que levou a sala ao rubro.
Depois da soul, da dance, do funky e do rock terem convivido em harmonia durante hora e meia, o músico voltou para interpretar alguns dos seus maiores sucessos em dois "encores": "Desert Rose" - dueto com o argelino Cheb Mami que arrasou a plateia -, "Faith", "Every Breath You Take", dos Police, e o belíssimo "Fragile".
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