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Correio da Manhã

Cultura
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O TALENTOSO ACTOR LEONARDO DICAPRIO

Já é do senso comum que as histórias reais são mais engraçadas que as ficcionadas. E é isso mesmo que o novo filme de Steven Spielberg vem mais uma vez provar.
7 de Fevereiro de 2003 às 00:00
“Apanha-me se Puderes” segue a história de um falsário que, dos 16 aos 21 anos, enganou a América, disfarçando-se das mais diversas profissões e desviando dinheiro através de cheques falsos.

A história veio a lume pela pena do próprio protagonista, Frank Abagnale Jr., que, já depois de regenerado e a trabalhar para o FBI, escreveu um livro sobre as suas aventuras. Spielberg pegou no caso com mão de mestre. Chamou Leonardo DiCaprio e Tom Hanks para os papéis principais e contratou ainda Christopher Walken, Emily Bay e Martin Sheen. O resultado é um soberbo filme de aventuras, que não esquece o lado emotivo e até um pouco infantil que marca a obra deste cineasta. Com uma excelente recriação de época, que passa pelos anos 60 e 70, e o confronto entre dois grandes actores, do qual DiCaprio sai vencedor.

O actor que viu fugir a nomeaçaõa para o Óscar com “Titanic” e ganhou fama de “quebra-corações” com “Romeu e Julieta” assume aqui um papel de peso, que desempenha com um brilhante à-vontade. Ele é Frank, o adolescente brilhante que decide fugir de casa, depois da falência financeira da família e consequente separação dos pais. Entregue e si próprio, aproveita a inteligência e arte da sedução para manter um alto nível de vida e durante três anos usa essas armas para forjar profissões de sucesso e receber dividendos desse estatuto. Frank faz-se passar por professor de francês, piloto, médico e advogado, e viaja pelo país, instalando-se nos melhores hotéis, de preferência ao lado de mulheres bonitas.

Mas não contava com a persistência de um agente do FBI (Tom Hanks), homem solitário e obsessivo, que não desiste da sua captura. Com o tempo, o jogo de gato e rato torna-se numa amizade à distância, o que leva o agente a fazer tudo pela regeneração do rapaz.

No que o filme é brilhante é, precisamente, na maneira como conta a história. Spielberg segue as emoções, os passos, as brincadeiras e tiques das personagens. E cria um trabalho que pode ser visto como um decalque das boas séries britânicas dos anos 60.

O ritmo vertiginoso da realização e o uso de uma cor gritante, mantêm o espectador colado ao ecrã. O que é secundado por algumas cenas de antologia, que remetem para outros filmes: é o caso da ‘homenagem’ a James Bond e o encontro dos dois homens no aeroporto.
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