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Correio da Manhã

Cultura
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O Teatro é uma festa

Ir ao teatro é uma festa?”, perguntava ontem a actriz Susana Costa à muito jovem assistência de ‘A História Breve da Lua’, espectáculo acabado de estrear no espaço Cinearte, em Lisboa, e que o encenador Gil Filipe destina sobretudo ao público entre os quatro e os dez anos. Resposta das crianças: “Ééééé!!!”
12 de Dezembro de 2004 às 00:00
Pedro Borges é o astrónomo de serviço e Gil Filipe ‘contracena’ com Jerónimo e Agapito
Pedro Borges é o astrónomo de serviço e Gil Filipe ‘contracena’ com Jerónimo e Agapito FOTO: Sérgio Lemos
Pronto. Estava dado o mote para um trabalho ternurento, que – a partir de uma peça homónima de António Gedeão (que conhecemos sobretudo como autor do poema ‘Pedra Filosofal’) – nos conta uma história antiga, nos dá uma lição de ciência e ainda consegue uma divertidíssima interacção entre o palco e a plateia, entre actores, bonecos e jovens espectadores.
O texto divide-se em duas partes distintas. Na primeira, Gedeão socorreu-se de uma velha superstição popular...
LENDAS E NARRATIVAS
Reza a lenda que a lua tem manchas porque lá vive um camponês que, tendo sido apanhado a trabalhar ao Domingo, Deus castigou, mandando-o para a lua.
Mas eis que o pano sobe, aparecendo em cena um jardim verdejante, dois bonecos (tipo ‘Rua Sésamo’) e um astrónomo que adora ensinar e que vai explicar aos meninos o que é realmente a Lua, por que é que os astronautas andam tão devagar e por que é que o planeta satélite da Terra tem quatro faces diferentes.
Mas o melhor de tudo são mesmo os comentários que as crianças vão fazendo àquilo que ouvem e que os actores se apressam a integrar no espectáculo. Ontem, a plateia estava cheia de pais babados, muito satisfeitos com a desenvoltura dos filhos a responder às perguntas. E toda a gente riu quando um dos miúdos, ao ver o irritante Jerónimo ser maltratado, gritou: “Muito grande bem feita!!”
BELEZA E SIMPLICIDADE
A aparente simplicidade do espectáculo não escamoteia o empenhamento da equipa em tornar bela esta ‘História’. O cenário e os figurinos de Delphim Miranda são capazes de encantar pais e filhos. Gil Filipe usa ainda outro truque para captar a atenção dos mais pequenos. A primeira parte do espectáculo decorre quase sem luz e as crianças, mergulhadas no escuro, são obrigadas a ficar quietas. É meia batalha ganha.
O trabalho dos actores corresponde ao que se pede num espectáculo deste género, mas é o próprio Gil Filipe quem mais brilha, graças à sua capacidade de dar vida, alternadamente, aos bonecos Jerónimo e Agapito. Ao seu lado, estão Susana Costa e Pedro Borges. Até Março.
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