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Correio da Manhã

Cultura
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Olga Tokarczuk e Peter Handke ganham Nobel da Literatura

Prémio não foi entregue em 2018 devido a acusações de assédio sexual feitas a membros do júri. Este ano, foram entregues dois.
10 de Outubro de 2019 às 18:27
Olga Tokarczuk
Peter Handke
Olga Tokarczuk
Peter Handke
Olga Tokarczuk
Peter Handke
Olga Tokarczuk e Peter Handke foram laureados esta quinta-feira com o prémio Nobel da Literatura, que distingue os melhores escritores do mundo. Uma vez que no ano passado o prémio não foi atribuído devido a acusações de abuso sexual envolvendo membros do júri, Olga Tokarczuk é a vencedora de 2018 e Peter Handke de 2019. 

A polaca Tokarczuk foi distinguida "pela sua imaginação narrativa que, com paixão enciclopédica, representa o ultrapassar de limites enquanto forma de vida", enquanto o austríaco Handke venceu devido "ao seu trabalho influente que, com ingenuidade linguística, explorou a periferia e a especificidade da experiência humana". 

Olga Tokarczuk deu-se a mostra ao mundo no ano passado, quando o seu livro Viagens, venceu o Man Booker Internacional. É uma compliação de fragmentos narrativos, alguns ficcionais, outros factuais, que se juntam, como o próprio nome indica, num diário de viagens. É também ativista, "uma escritora preocupada com a vida local, mas que olha para a Terra de cima", como o júri caracterizou na conferência de imprensa.

Famosa no seu país, a escritora polaca Olga Tokarczuk (n. 1962) ganhou notoriedade planetária quando, em 2018, a tradução de Viagens venceu o Man Booker Internacional.

Já Handke é dramaturgo e cineasta, tendo já recebido o Prémio Internacional Ibsen.

Estas duas escolhas vêm depois da Academia Sueca ter afirmado que se ia afastar da perspetiva "masculina" e "eurocêntrica". "Temos tido, vamos dizer, uma perspetiva eurocêntrica da literatura e agora estamos a olhar para o mundo tudo", apontou Andres Olsson, o novo presidente do comité sueco. Diz ainda Olsson que tem sido "male-oriented", que se poderá traduzir livremente por "os vencedores são quase sempre homens". Ainda assim, este afastamento não foi total uma vez que os dois laureados são europeus e um deles, o deste ano, é um homem. 

Antes da entrega do prémio, Olsson publicou um vídeo no YouTube onde explicava como são escolhidos os vencedores. Por exemplo, disse que há uma shortlist de 8 escritores definida antes do verão. Depois os jurados têm essa época para ler o que escreveram e propor um vencedor. Este ano foram dois.
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