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Correio da Manhã

Cultura
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Onde está o Ministério da Cultura?

Foi com lágrimas nos olhos que o realizador Fernando Lopes lamentou ontem o fecho do cinema Quarteto, em Lisboa, pela Inspecção-Geral das Actividades Culturais (IGAC).
18 de Novembro de 2007 às 00:00
M. Fonseca, F. Lopes e A. Escudeiro apoiam Bandeira Freire (centro)
M. Fonseca, F. Lopes e A. Escudeiro apoiam Bandeira Freire (centro) FOTO: Sérgio Lemos
“Onde está o Ministério da Cultura? Onde está a Câmara de Lisboa?” questionou, considerando que o encerramento dos cinemas Quarteto e Medeia King – já vendido para “a construção de garagens do Hotel Lutécia”, adiantou – contribuirão decisivamente para matar a vida cultural da cidade, pois deixará de haver alternativa à programação “imposta pela Lusomundo PT” que “domina todas as salas”.
O Quarteto foi encerrado quinta-feira após uma vistoria da IGAC que detectou a falta de blocos que iluminam e orientam o espectador quando há cortes de energia e a falta de um sistema de detecção de incêndios, coisas que a actual empresa que gere o espaço, a Associação Cine-Cultural da Amadora (ACCA), garante que já tinha encomendado e cuja instalação começaria amanhã. E detectou também material inflamável nos tectos e chão das salas. “Mas para podermos pagar estas obras temos de manter o cinema aberto”, frisou Paulo Pagará da ACCA, adiantando que o IGAC exigiu rampas para deficientes. “Qual é o cinema que tem rampas para deficientes?”, questionou.
Fundador e proprietário do Quarteto, Pedro Bandeira Freire lembrou que o IGAC, em 2002, deu dois anos à Socorama – Castello Lopes Cinemas, que explorava as salas, para proceder às alterações detectadas. “Mas a Socorama recebeu quatro mil contos do ICAM (Instituto de Cinema, Audiovisual e Multimédia) e nem um prego aqui pôs”, acusou.
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