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Correio da Manhã

Cultura
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Os contos fantásticos de um Python

Os portugueses conhecem Terry Jones como um dos génios cómicos dos Monthy Python, um grupo que revolucionou o humor britânico nos anos 70. Mas esta noite, o homem que realizou, entre outros, filmes como ‘O Sentido da Vida’ e ‘A Vida de Brian’ vai sentar-se num camarote do Teatro São Luiz, em Lisboa, para assistir à estreia absoluta da versão musical dos seus ‘Contos Fantásticos’.
10 de Março de 2006 às 00:00
Terry Jones começou a escrever por causa da filha, Sally
Terry Jones começou a escrever por causa da filha, Sally FOTO: Natália Ferraz
Jones começou a escrever histórias para crianças em 1975, para ler à filha, Sally, antes de dormir. Como os contos dos Grimm lhe pareceram algo violentos, decidiu escrever as suas próprias histórias. E nunca mais parou.
Há pouco mais de um ano, o director do S. Luiz, Jorge Salavisa, desafiou a Orquestra Metropolitana de Lisboa – e os compositores Pedro Faria Gomes e Luís Tinoco – a conceberem música para contos infantis. Pedro Faria Gomes musicaria ‘O Violino Cigano’, um conto tradicional cigano. e Luís Tinoco ‘Os Contos Fantásticos’ de Terry Jones, já publicados entre nós pela Presença.
Esta noite, esta ideia feliz vê finalmente as luzes da ribalta. Com apresentação de Bárbara Guimarães, o espectáculo terá ainda, como narradores, o cantor lírico Luís Rodrigues e o actor João Reis. Um projecto feito a pensar no público de todas as idades, com apetência para a música erudita. Em cena até dia 19.
HUMOR MUITO CÁUSTICO
Quando a BBC estreou, a 5 de Outubro de 1969, a série cómica ‘O Circo Voador dos Monthy Python’, o humor britânico mudou. Graham Chapman, John Cleese, Terry Gilliam, Eric Idle, Terry Jones e Michael Palin eram, até ao momento, um grupo de jovens comediantes de grande talento, mas pouca visibilidade. Mas quando começaram a gozar abertamente com temas considerados tabu numa sociedade tão conservadora como a britânica, tornaram-se famosos do dia para a noite.
Sexo, política, racismo ou drogas eram temas favoritos destes meninos rebeldes cujo sucesso não tardou a ultrapassar as fronteiras do Reino Unido. Depois da série de televisão, hoje um clássico do humor, seguiram-se os filmes, cada um mais polémico do que o outro. Até o Vaticano se meteu ao barulho, tentando impedir a estreia de ‘A Vida de Brian’.
Entretanto, o grupo desfez-se, juntando-se apenas para ocasiões muito especiais, e cada um seguiu a sua própria carreira. John Cleese é, talvez, o nome mais sonante de todos, tendo-se imposto em Hollywood.
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