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Correio da Manhã

Cultura
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Os filmes importantes são os que me assustam

Anne Hathaway, actriz. Aos 23 anos, tem uma personagem marcante ao lado de Meryl Streep em ‘O Diabo Veste Prada’.
5 de Novembro de 2006 às 00:00
Correio da Manhã – Conhecemo-la bem como Princesa (ver perfil), mas será que ’O Diabo Veste Prada’ lhe deu vontade de, um dia, ser jornalista?
Anne Hathaway – Jornalista?!… Até fiquei sem palavras! Seria uma péssima jornalista (risos). No entanto, adoro o potencial que o jornalismo tem pela liberdade e o poder de recolher a verdade. Nesse sentido, acho que sim, que gostaria de estar envolvida nesse mundo, mas, neste momento, tenho muito para aprender como actriz.
– Lê as revistas femininas?
– Sim, por vezes, se tiverem matérias interessantes. Por exemplo, li um óptimo na ‘(Harper’s) Bazaar’, escrito pela (actriz) Carrie Fisher sobre a idade madura dos 50 anos. Muito bem escrito.
– Em termos de estilo, com que momento da sua personagem se identifica mais: o antes ou o depois de Andy Sachs?
– Gosto muito de roupas e de moda. Apesar de não me considerar uma vítima da moda. Gosto de roupa bonita, mas tenho um fraquinho pelo estilo ‘vintage’…
– Como se preparou para este filme?
– Com pensava que já sabia tudo sobre a moda, decidi trabalhar na casa de leilões Christie’s. Acabou por ser uma óptima experiência, pois estive sempre rodeada de mulheres fantásticas e muito magras. Foram duas semanas diferentes em que servi café e fiz recados.
– Não sentiu que teria de procurar ser mais ‘glamorosa’…?
– Pelo contrário. Uma coisa que acho triste na nova geração de actores é o facto de estarem mais preocupados em dar nas vistas do que em aprenderem com a profissão. Quando olho para alguém como a Meryl [Streep] só penso em um dia conseguir ser como ela. Está a perder-se um pouco o observar e aprender.
– Depois de ‘Brokeback Mountain’ poderá ter papéis mais maduros?
– Mais maduros do que fazer de princesa? É difícil dizer. Foi um papel que gostei muito de interpretar, mas que acabou por se colar a mim. Não que eu veja algum mal nisso. Sou apenas uma actriz. Não estou a tentar ser mais madura, quero apenas interpretar papéis interessantes que melhorem o meu estilo. Por isso, ‘Brokeback Mountain’ foi um filme muito importante, pois percebi que os filmes só são verdadeiramente importantes quando nos assustam.
– E o que há de perigoso em ‘O Diabo Veste Prada’?
– Trabalhar com Meryl Streep (risos)… A Meryl trabalha a um nível a que poucos podem ascender. Por isso, quem contracenar com ela sujeita-se a essa avaliação. É um pouco assustador. Mas só trabalhando com alguém que está a anos-luz de nós é que poderemos realmente aprender. E isso teve uma influência profunda no meu trabalho.
– Saíram juntas durante a rodagem?
– Não. A Meryl gosta de ficar dentro da personagem e, por razões de trabalho, manteve a distância de todos nós.
– Estranhou esse comportamento?
– Não, ela avisou que seria assim. Talvez preocupada por eu ser muito jovem e poder ficar magoada. Até achei generoso da parte dela dizer-me isso. Mas também me reconfortou, dizendo-me que iria gostar muito de trabalhar comigo. E também que essa seria a última coisa boa que me iria dizer durante a rodagem… É uma decisão profissional que respeito. Outros actores poderiam não ter tanta consideração…
PERFIL
Filha de um advogado e de uma actriz-cantora, Anne Hathaway (que faz 24 anos no próximo dia 12) nasceu para o cinema no berço de ouro de ‘O Diário da Princesa’ (2001) e respectiva sequela (2004). Seguiram-se ‘Havoc’ e ‘O Segredo de Brokeback Mountain’ (ambos de 2005). ‘O Diabo Veste Prada’ (2006) é o início da sua fase de reconhecimento e o próximo papel é o da escritora Jane Austen em ‘Becoming Jane’.
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