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Cultura
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'OS IRON MAIDEN SÃO UMA BANDA ÚNICA'

Em Julho passado, horas antes de ter liderado os Iron Maiden num concerto que deixou ao rubro as 12 mil pessoas que esgotaram a lotação do Pavilhão Atlântico, em Lisboa, Bruce Dickinson, o vocalista, revelou ao CM pormenores do novo álbum do grupo, ‘Dance of Death’, que amanhã é editado em Portugal.
7 de Setembro de 2003 às 00:00
Bruce Dickinson voltou aos Iron Maiden porque a vibração e o conceito estão bem vivos
Bruce Dickinson voltou aos Iron Maiden porque a vibração e o conceito estão bem vivos
Correio da Manhã - Os Iron Maiden têm muitos fãs em Portugal, onde tocam frequentemente. O baixista, Steve Harris, possui uma casa e um bar no Algarve. Têm uma relação especial com o país?
Bruce Dickinson - Adoramos Portugal e sabemos que os fãs nutrem um carinho especial pelos Iron Maiden. Sempre que podemos, passamos por cá.
- O novo disco é o 14.º trabalho de originais da vossa carreira. O que significa para a banda?
- "Dance of Death" é mais um "típico" álbum dos Iron Maiden, cuja sonoridade é uma continuidade de tudo o que temos feito ao longo da nossa carreira. Quem gosta de Iron Maiden vai adorá-lo e quem não gosta vai odiar. Connnosco sempre foi assim.
- Consta que o processo de gravação foi muito orgânico e rápido, sem recurso a grandes efeitos ou refinamentos técnicos. Como foram as sessões de estúdio?
- É verdade. Gravámos o disco em apenas duas semanas, quase tudo ao primeiro "take". Em duas ou três canções houve maior trabalho de produção, mas não havia motivo para "florear" o álbum. Além disso, somos uma banda "ao vivo" e por isso mesmo, é preferível gravar ao vivo, tal como se estivéssemos "sem rede", ou seja, no palco. Aliás, tocar ao vivo é aquilo que os Iron Maiden melhor sabem fazer, portanto... usamos e abusamos. Gravar desse modo é o que nos permite transpôr para os discos a verdadeira essência dos Iron Maiden.
- Porque resolveram voltar a trabalhar com Kevin Shirley, o produtor de "Brave New World"?
- Gostamos de trabalhar com ele. Foi engraçado verificar que, desta vez, ele estava muito mais seguro e confiante. Já conhecia os Iron Maiden e isso fez com que as sessões de gravação fossem mais produtivas. Por outro lado, a banda estava muito sintonizada. Sabíamos exactamente aquilo que queríamos e estávamos cheios de energia para gravar "Dance of Death".
- Porque escolheram esse título para o álbum?
- "Dance of Death" é o título de uma nova canção que é representativa do álbum. Aliás, todas as canções são. No fundo, poderíamos ter escolhido qualquer outro tema para dar nome ao disco, mas este soou bem desde o início.
- Os Iron Maiden tocam com três guitarristas. Como é compôr canções para três guitarras?
- É muito fácil. E resulta muito bem, tanto ao vivo como no estúdio. Compomos música para duas guitarras e a terceira permite-nos "divagar". É uma das razões porque não necessitamos de usar tantos efeitos.
- O que o levou a regressar aos Iron Maiden?
- Senti que ainda me identificava muito com a banda. A vibração e o conceito dos Maiden está bem vivo e decidi voltar a partilhar tudo isso. Antes de regressar aos Maiden, analisei o mundo da música e conclui que os Iron Maiden são uma banda única e era nela que eu queria estar. O grupo ainda tem muito para dar, desde discos a digressões. Temos muitos fãs e, em termos de carreira, atingimos um patamar único.
- Ao fazer essa análise, o que concluiu sobre o actual panorama musical? Onde é que os Iron Maiden encaixam no actual contexto?
- É uma banda única. Os Maiden não estão dependentes de qualquer moda ou época. Se calhar, isso acontece porque nós nunca fizémos concessões na nossa música. Os nossos fãs, que são muitos, apoiam-nos incondicionalmente. É precisamente isso que torna esta banda especial.
- A seguir ao lançamento do álbum, quais são os planos do grupo? Fazer uma nova digressão?
- Sim. Em Janeiro vamos voltar aos palcos europeus, depois ao Japão e aos Estados Unidos, e, em seguida, voltamos à Europa.
- Como é que se sentem nos Estados Unidos, sendo uma banda emblemática do movimento "british heavy metal"?
- Sempre olhámos para a América como um sítio que não é fundamental para a nossa carreira. Ou seja, caso tivéssemos sucesso por lá, seria óptimo. Mas o contrário também não era problemático. Os alicerces da nossa carreira estão na Europa. Por acaso, até temos bastante sucesso nos EUA, mas não nos identificamos com a cultura americana nem com a MTV. Somos "bifes" de gema.
- Como surgem as vossas canções?
- Invariavelmente num quarto de hotel. Pego na guitarra e imagino um "rif", depois uma melodia, a seguir junto-lhe a voz. Às vezes, a ideia concretiza-se à primeira tentativa, outras anda-se à volta daquilo vários dias. Depois é preciso partilhar com os outros elementos da banda. Mas a parte mais mística da criação é precisamente a fase solitária.
PERFIL
Com uma carreira que já conta com mais de 20 anos de duração, os Iron Maiden foram um dos primeiros grupos a serem classificados como “british metal”, juntamente com Black Sabbath ou Led Zeppelin, um trio que serviu de fonte de inspiração para muitas bandas que se lhes seguiram. O grupo foi formado em Londres, em 1976, e desde logo fez furor no circuito de bares da capital britânica. Em 1980, editam o álbum de estreia homónimo, do qual se destaca o single "Running Free", um dos maiores sucessos da sua carreira. Dois anos depois, lançam “The Number of the Beast”. O disco é aclamado pela crítica, sendo considerado um dos maiores clássicos do heavy-metal graças a temas que fizeram história como "Hallowed Be Thy Name" e "Number Of The Beast". O êxito inesperado do disco catapulta-os para o estatuto de super-estrelas mundiais de rock. Da sua extensa discografia fazem parte outros títulos clássicos como “Powerslave" (1984), “Seventh Son Of The Seventh Son” (1988) ou “Fear of the Dark” (1992). A banda é actualmente formada por Bruce Dickinson (voz), Steve Harris (baixo), Adrian Smith (guitarra), Janick Gers (guitarra), Dave Murray (guitarra) e Nicko McBrain (bateria).
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