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Correio da Manhã

Cultura

OS MISTÉRIOS DO BUTÔ

Ainda está na memória de muitos a estreia em Portugal do grupo japonês Sankai Juku, dirigido por Ushio Amagatsu. Residente em França há vários anos, a companhia é conhecida pelas suas elaboradas e rigorosas composições de ‘estátuas andróginas de mármore’, que se movem lentamente debaixo de planos de ‘luz difusa’ e embaladas por sons misteriosos.
1 de Junho de 2004 às 00:00
‘Hibiki’, agora apresentado no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, vive de uma atmosfera aquática, e uma estética harmoniosa e de movimentos repetitivos cortados, aqui e ali, por um ou outro salto, uma corrida ou uma mudança brusca de direcção.
Embora com quase hora e meia de duração e frequentemente num mesmo registo, este luminoso espectáculo constitui uma experiência quase ascética para o espectador que, no fim, brinda sempre o grupo com uma avalancha de palmas e bravos.
‘Hibiki’ parte de quatro recipientes vítreos suspensos que deixam escapar gotas de água sobre a superfície aquática de uma dúzia de enormes pratos de vidro. No solo, há cinco bailarinos em posição fetal e dentro de lagos de luz.
Nuvens de pó branco desprendem-se dos corpos ou elevam-se no palco por acção de simples corridas ou, a contrastar, a água de uma das taças torna-se escarlate – metáfora para um passado em que o butô era condimentado com violência física e emocional.
No fim, todos rodeiam, no solo, Amagatsu, figura enigmática e poderosa que tudo domina. Um aperto fica nas gargantas dos espectadores.
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