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Correio da Manhã

Cultura
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OS SENHORES DOS BLUES

Trinta e cinco longos anos depois de “Little Games”, os Yardbirds estão de volta à “mesa de jogo”. “Birdland” é o título do novo registo desde hoje nas lojas e, ainda que a sensação primária seja a de que voltam “apenas” a baralhar e a dar de novo, tem trunfos escondidos que prometem deliciar toda uma imensa geração... e mais.
4 de Agosto de 2003 às 00:00
Os Yardbirds estão de volta mais de três décadas depois, com os blues
Os Yardbirds estão de volta mais de três décadas depois, com os blues FOTO: Direitos Reservados
Não é à toa que novas bandas na berra, casos de The Hives e White Stripes, os invocam como “inspiração”.
Outrora viveiro de alguns dos mais virtuosos guitarristas que o rock conhece(u) - Eric Clapton, Jeff Beck, Jimmy Page -, os Yardbirds são também uma das bandas à qual o género mais deve. Mais de três décadas depois, porém, devidamente reverenciados e com lugar cativo na galeria dos notáveis, o que motiva os Yardbirds a voltar ao activo?
A resposta encontra-se no novo “Birdland”, um híbrido feito de antigos êxitos - ”I’m Not Talking”, “Nazz Are Blue”, “For Your Love”, “Train Kept a Rollin”, “Shapes of Things”, “Happenings Ten Years Time Ago” - e novas composições que, embora nada de novo acrescentem ao rock, também não hipotecam o legado da banda. Pelo contrário! Na verdade, os novos temas apenas sublinham a excelência do ensemble e, mais importante, a sua mestria no domínio e assimilação dos blues.
Curiosamente, este é também o único óbice de “Birdland”: o facto de se limitar (acomodação?) aos blues, abdicando da vertente progressiva que em tempos tão bem exploraram.
lote de notáveis
Como que em jeito de compensação, os “renascidos” Yardbirds fizeram rodear-se de um lote de notáveis músicos. Guitarristas em especial, como que reforçando a ideia de “escola” de virtuosos. São os casos de Slash (ex-Guns N’ Roses), Steve Vai, Brian May (ex-Queen), Joe Satriani e, num regresso às origens, Jeff Beck, que assina um dos melhores temas do disco, “My Blind Life”.
Com uma produção que enfatiza precisamente o trabalho de guitarras, “Birdland” não esquece também Keith Relf, a quem é dedicada a canção “An Original Man”, que encerra o disco e onde sobressaem os coros gregorianos.
Longe de ser uma obra-prima, ou tão pouco um elemento de destabilização no actual panorama rock, o novo dos Yardbirds está, no entanto, recheado de belos e entusiasmantes momentos. Um disco “à antiga” que os mais novos deviam também descobrir.
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