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Correio da Manhã

Cultura
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Ossadas com mais de mil anos em Beja

A forma como foram encontrados os dois esqueletos não deixa margem para dúvidas. São provenientes da era em que os mouros dominavam a parte Sul da Península Ibérica. Dois homens adultos, deitados sobre o braço direito, virados para Este, como manda a tradição da religião muçulmana.
21 de Janeiro de 2007 às 00:00
Um dos conjuntos de ossadas achados no Centro de Beja
Um dos conjuntos de ossadas achados no Centro de Beja FOTO: Pedro Galego
São os dois últimos achados, de um total de dez corpos encontrados na zona que os arqueólogos acreditam ser a antiga necrópole islâmica de Beja, que, à data do domínio mouro, era uma das mais importantes cidades do Sul da Península. A localização temporal aponta para os séc. X e XI, entre os mil e os 1100 anos de existência.
Para Miguel Serra, director científico das escavações este é um achado de enorme importância científica. “Confirmámos as nossas suspeitas e agora podemos avançar para a localização exacta dessa necrópole”, explicou ao CM.
Mas a riqueza patrimonial do achado não é tão elevada como a científica, pois as ossadas não se encontram no melhor dos estados de conservação. “Estavam relativamente perto da superfície e foram sendo danificadas com as sucessivas obras na zona ao longo dos tempos”, esclareceu o responsável.
Há cerca de dois meses, a 200 metros do local desta descoberta, nas Portas de Mértola, em pleno Centro Histórico de Beja, foram achados mais sete corpos em semelhante estado de conservação. As posições em que se encontravam eram as mesmas e a distância entre os achados confere à necrópole uma dimensão muito superior à esperada inicialmente, de acordo com a equipa de investigadores.
As obras que estão na origem da descoberta prendem-se com a renovação do sistema de águas da cidade, que estão a decorrer desde 30 de Outubro. Todavia, o ritmo dos trabalhos arqueológicos não tem causado qualquer atraso nos melhoramentos.
No entender de Miguel Serra é, aliás, “bastante provável” que durante estas escavações venham a ser encontrados mais vestígios da necrópole, uma vez que serão abertas mais algumas ruas do Centro Histórico de Beja.
“A zona do Museu Municipal é, para já, apontada como sendo o centro provável deste cemitério. Dentro em breve as escavações chegarão a esse local”, referiu.
ANÁLISES EM LABORATÓRIO DE COIMBRA
Todos os achados arqueológicos resultantes das obras no Centro Histórico da capital do Baixo Alentejo estão a ser transportados para um laboratório em Coimbra onde é feita a análise detalhada de todas as suas características.
As primeiras sete ossadas, encontradas em Novembro último, já foram alvo de estudo através do qual foi possível identificar os restos mortais de duas crianças, de um idoso, de uma mulher cuja idade se situaria entre os 20 e os 30 anos, e de um homem com mais de 30. Três destes esqueletos encontram-se completos e em bom estado de conservação e outros quatro conjuntos parciais estavam bastante degradados.
O sexo das mais recentes descobertas já foi apurado, mas estas análises servem também para perceber se apresentam algum tipo de patologia e a idade correcta. Foi encontrado um terceiro conjunto de ossos que permanecerá no local visto que não será afectado pelo traçado das obras. Após as análises em Coimbra, todas as ossadas regressarão a Beja onde serão guardadas e conservadas.
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