Palacete condenado

Os mais atentos já andavam desconfiados, mas agora acabaram-se as dúvidas. A Casa da Orge, um dos poucos exemplares de casas apalaçadas do século XVIII da cidade de Braga e a única do género da freguesia de Maximinos, vai ser demolida para dar lugar a um prédio de oito andares.
21.02.07
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Palacete condenado
A Casa da Orge destaca-se à saída de Braga para Barcelos, logo a seguir à Igreja de Maximinos Foto Sérgio Freitas
A presença de máquinas escavadoras no local e a colocação de tapumes à volta do recinto da casa, com mais de 300 anos, chamaram a atenção das associações de defesa do património, que hoje mesmo vão pedir explicações à delegação do norte do Instituto Português do Património Arquitectónico, IPPAR.
É que há cerca de dois anos a ASPA (Associação de Defesa do Património), prevendo este fim para a moradia, solicitou ao IPPAR a abertura de um processo de classificação urgente do edifício. Segundo a lei, o organismo do Ministério da Cultura devia responder no prazo de seis meses, mas, passados dois anos, ainda não disse nada.
Ontem o jornal ‘Correio do Minho’ anunciava a demolição da casa dando sequência à licença de construção emitida pela Câmara de Braga em 1999 e que, na altura, gerou acesa polémica.
Surpreendida, a população diz que não vai ficar de braços cruzados e um grupo de moradores de Maximinos promete pedir explicações ao presidente da Junta de Freguesia.
“Esta casa esteve para ser sede da Junta de Freguesia, mas o actual presidente preferiu instalá-la na casa que era dos pais do presidente da Câmara. Agora, vão demolir um dos poucos edifícios da freguesia com efectivo valor patrimonial”, queixou-se ao CM Alberto Santos, um dos elementos do grupo.
O projecto prevê que o empreiteiro que vai fazer a torre de oito andares desmonte as duas fachadas principais e o portal de entrada do palacete e depois as reconstrua no chamado Largo da Meia Laranja, junto à Igreja de Maximinos. Uma solução que não agrada nem à população nem às associações de defesa do património.
"IRREMEDIÁVEL ATENTADO"
“O que vão fazer com a casa da Orge é um grave e irremediável atentado ao património”, garantiu ao CM Eduardo Pires de Oliveira, investigador e membro da ASPA. No entender do responsável, “passar as pedras da fachada e do portal para o outro lado da rua é a mesma coisa que matar o pai, com a desculpa de que se tem uma fotografia para perpetuar a sua imagem”. Sublinhando que a Casa da Orge “é dos melhores exemplares da arquitectura setecentista da cidade de Braga, na altura arredores da cidade”, Eduardo Pires de Oliveira garantiu que “só por falta de sensibilidade e porque o betão ainda continua a falar mais alto em Braga é que a casa não é, como deveria ser, devidamente preservada”.Entretanto, hoje mesmo a ASPA vai expor o caso à delegação norte do IPPAR, numa tentativa de travar a demolição do edifício.

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