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Correio da Manhã

Cultura
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Para sempre...

Os Xutos & Pontapés surpreenderam sexta-feira os fãs no primeiro dos dois concertos comemorativos dos seus 28 anos, mas acabaram também eles ‘surpreendidos’ pela tenacidade dos fãs. Aconteceu já no final do concerto, logo após ‘A Casinha’, o tema que habitualmente marca a despedida. Só que a canção, que levantou a lotada plateia do Auditório dos Oceanos do Casino Lisboa, inflamou os ânimos e obrigou os Xutos a um improvisado regresso, tamanho era o coro de “só mais uma” que se seguiu aos “parabéns a você”. E eles responderam à altura do desafio, não com uma, nem com duas, mas sim com três temas. Em grande!
14 de Janeiro de 2007 às 00:00
Do lado dos Xutos, a surpresa chegou na forma como se apresentaram em palco. Ao contrário do publicitado formato acústico, o quinteto surgiu eléctrico (electrizante mesmo, a espaços), mas exibindo uma disposição, mais... ‘cool’. Frente a uma casa cheia – 700 pessoas –, os Xutos apresentaram-se em pose relaxada, sentados e de guitarras (eléctricas) no colo. A disposição ‘unplugged’, porém, marcou o concerto. À excepção de umas esporádicas investidas electrizantes, que deram “para suar um bocado”, no dizer de Tim, boa parte do repertório foi preenchido com versões suaves.
E descobriu-se uma nova beleza em canções como ‘N’América’, ‘Doce Murmúrio’ (uma valsa negra), ‘Remar, Remar’ conheceu nova ondulação e ‘Homem do Leme’ foi fado arrepiante. Pela delicadeza da abordagem impressionaram ainda ‘Pêndulo’, ‘Chuva Dissolvente’ ou ‘O Mundo ao Contrário’.
Num concerto em que a comunicação palco-plateia foi uma constante, foi o tema do filme ‘Tentação’ aquele que melhor traduziu a comunhão Xutos-fãs, com estes a calarem Tim e a entoarem: “Sempre, para sempre, vou gostar de ti”. “Lindo”, agradeceram.
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