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Correio da Manhã

Cultura
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PARABÉNS PÁ(IMA)!

E ao final de trinta anos de carreira, Jorge Palma voltou a reunir a sua obra, pela "enésima" vez, como se fosse a primeira, como se fosse a única, para ele e para nós.
23 de Setembro de 2002 às 00:23
"No Tempo dos Assassinos", disco duplo que é hoje editado, convida a olhar para três décadas de uma das mais brilhantes e solitárias carreiras da música portuguesa que, em momento algum, deixou de ser irreverente e desajustada, para paixão de muitos, para desinteresse da maioria.

Mas Palma fez-se assim, sem pensar em ninguém, pensando ao mesmo tempo em toda a gente, sem pensar em nada, mas debruçando-se irremediavelmente sobre tudo, fazendo de cada anónimo um amigo e de cada letra um desabafo solitário ao encontro de cada um de nós.

Frágil muitas vezes, “só” a maior parte delas, Palma sempre fez da vida uma luta pela liberdade artística, pela sua própria liberdade, de que acabou um alegre prisioneiro. Como uma espécie de vampiro, sempre bebeu do lado bom da solidão a dor, o desejo e a coragem de seguir caminho. E assim foi matando os anos, sentado ao piano, ora caindo, ora fugindo das drogas e do álcool como se fossem os seus únicos companheiros de viagem.

Gravado em três concertos no Teatro Villaret em Junho deste ano, "No Tempo dos Assassinos" é mais um disco de pequenas verdades, de confissões, de apertos no peito ou simplesmente de canções, canções essas que sendo dele (do Palma), na verdade já nem lhe pertencem, tal foi a forma como deixaram pelo caminho a ambiguidade das palavras e passaram para a unicidade de cada um de nós. Parabéns Palma!
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