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Correio da Manhã

Cultura
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Paróquia faz referendo sobre restauro de um órgão

A paróquia de Landim, no concelho de Vila Nova de Famalicão, está a preparar a realização de um peculiar referendo à população, para saber se os paroquianos estão ou não dispostos a arcar com as despesas de restauro de um antigo órgão de tubos do mosteiro da terra.
23 de Fevereiro de 2005 às 00:00
O órgão, sublinhe-se, é uma valiosa peça artística, ao nível da arte sacra e da organaria, já que, deste género, só existem dois em toda a Península Ibérica.
O problema é que, por causa dos seus 300 anos e devido a um certo abandono a que, nas primeiras décadas do séc. XX, esteve votado o Mosteiro de Landim, o órgão encontra-se muito degradado e a sua recuperação, segundo o padre Armindo Freitas, pároco da freguesia, custa pelo menos 225 mil euros.
Apesar da verba, o sacerdote acredita que a paróquia não vai colocar de parte o restauro do órgão, até porque o Mosteiro, fundado ainda antes da nacionalidade, está a ser recuperado, numa intervenção orientada e financiada, na sua maior parte, pela Direcção-Geral dos Monumentos Nacionais.
Recentemente, ficaram concluídas as obras na parte exterior do monumento, um dos mais antigos e importantes do concelho de Famalicão, e em breve vão avançar as obras de restauro do interior, nomeadamente da talha, que é a operação mais delicada.
Só que o órgão, datado do início do século XVIII, não está integrado no plano de recuperação em curso e o pároco considera que “não ficaria bem ter um mosteiro todo restaurado, com um órgão tão valioso completamente degradado”.
Assim, o sacerdote resolveu colocar a questão aos paroquianos, sob a forma de referendo. Se o sim ganhar, o padre Armindo Freitas diz que avança “sem dúvidas” para o restauro do velho instrumento de sopro, pois, assegura, “o povo de Landim cumpre a sua palavra”.
O dito referendo ainda não tem data marcada mas foi-nos garantido que “está para muito breve”.
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