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Correio da Manhã

Cultura
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PARQUE JURÁSSICO EM ÓBIDOS

Uma das mais interessantes jazidas de pegadas de dinossauros descobertas em Portugal, com 17 trilhos e 130 pegadas, com 20 a 40 centímetros de comprimento, feitas por diferentes espécies há cem milhões de anos, foi ontem revelada em Óbidos.
11 de Outubro de 2003 às 00:00
O achado é considerado “bastante importante e fantástico” pela quantidade de vestígios identificados, que permitem recriar ao pormenor o cenário do período do Cretácico Inferior.
A descoberta de algumas das pegadas, nas rochas da praia de Olhos de Água, foi protagonizada este Verão por um investigador amador, António Miranda, que a comunicou ao Museu da Lourinhã. Os trabalhos de campo, numa área de 80 metros quadrados, foram conduzidos pelo paleontólogo Octávio Mateus, do Museu da Lourinhã, e o estudo preliminar feito em conjunto com Miguel Telles Antunes, da Universidade Nova de Lisboa (UNL). A equipa concluiu que há, pelo menos, três espécies distintas, todas bípedes, entre dinossauros carnívoros (terópodes) e herbívoros (ornitópodes, do tipo de Iguanodon) de médio e grande porte.
Segundo Octávio Mateus, “100 pegadas encontram-se bem preservadas e assinaladas a giz, mas estima-se a existência de mais de 200”, e “é possível, mas pouco provável, que apareçam ossos”.
Os trilhos mais longos medem 19 metros, mas mais poderão ser descobertos, assim que forem removidas as toneladas de terra e rocha que cobrem a laje com as pegadas.
IMPORTANTE NO MUNDO
De acordo com os investigadores, entre outras particularidades pouco frequentes a nível mundial, “a jazida mostra um trilho de um dinossauro carnívoro que tinha um andamento às curvas e fez uma curva acentuada atrás de uma presa, e outro trilho apresenta os passos direitos mais compridos que os esquerdos, sugerindo que um dinossauro coxeava”.
O bom estado dos vestígios permite equacionar a possibilidade “dos dinossauros herbívoros se deslocarem a um curso de água e os dinossauros carnívoros patrulharem a zona para caçá-los”. Segundo Octávio Mateus, “é a primeira jazida no Mundo que se conhece com estas características, o que faz que passados entre 100 e 120 milhões de anos possamos especular um pouco mais sobre o comportamento dos dinossauros”.
A localização da jazida na arriba, junto ao mar, levanta problemas de conservação. A área será coberta com um telheiro e sacos de areia para protegê-la da chuva e da erosão.
No próximo Verão realiza-se uma campanha de escavações. A Câmara Municipal de Óbidos, o Museu da Lourinhã e o Centro de Estudos Geológicos da UNL estudam um protocolo para potenciar o estudo e protecção da jazida. Os responsáveis esperam que seja possível musealizar a jazida já em 2004.
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