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Correio da Manhã

Cultura
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PAULA BOBONE: ALGUNS FAMOSOS NÃO TÊM CONTEÚDO ALGUM

Irreverente, emotiva, incisiva, corrosiva, sensível, mordaz e, até, benevolente, é assim que Paula Bobone se apresenta no seu livro ‘Socialíssimo’, lançado ontem em Lisboa, e no qual dá a conhecer os meandros do meio social.
3 de Julho de 2003 às 00:00
Correio da Manhã - O que nos traz de novo esta obra?
Paula Bobone - Os meandros do meio social português e internacional. Quem é quem? Como vive? Que locais frequentam? Por que regras regem a vida? Que tradições são importantes preservar? Enfim, a isto e muito mais o ‘Socialíssimo’ responde desfazendo a curiosidade de todos sobre o fascinante palco social.
- Porquê “Socialíssimo“?
- O nome surgiu-me como um excesso para dar nas vistas porque o social passa por isso mesmo: ser visto e dar nas vistas. O público hoje em dia não dispensa os seus heróis e, se antes os heróis eram os deuses gregos e romanos, agora são os famosos que aparecem nas revistas. Não valem nada mas transformaram-se em ícones e representam para a sociedade referências que o público consome avidamente. Os ‘media’ alimentam-se da figura pública e, nós que damos a cara, também tiramos proveito. É o que se pode chamar um casamento de conveniência.
- Que referências podem ser para a sociedade estes novos heróis?
- Alguns podem ser benéficos se a Comunicação Social souber conduzir o processo com qualidade embora haja uma certa descartabilidade de heróis porque alguns não têm conteúdo algum. Por exemplo, a fama dos “Big Brother” é muito efémera porque se usa e deita fora. E porquê? Porque a história da vida deles se resume a uma capa de revista e nada mais. Contada a história deixa de haver motivos para explorar... é cruel, mas é verdade.
- Há forma de tirar proveito da fama?
- Claro. A fama deve acontecer em crescendo porque, se for repentina, pode desaparecer tão depressa como apareceu. Por exemplo, os famosos “Big Brother” nos píncaros da fama julgaram estar felizes mas, no dia seguinte, cairam no vazio que antes tinham ou talvez não. Os que realmente têm talento e objectivos concretos conseguem tirar proveito da fama que lhes foi disponibilizada pela visibilidade televisiva de um programa.
- O livro baseia-se na teoria?
- Não. Andei a reflectir sobre o que era a vida social em Portugal e não fui para a teoria. Fui para a prática e citei festas, sítios, nomes, lugares que se frequentam... Daqui a uns anos, muitas das pessoas que aparecem descritas no livro vão poder rever-se porque o português não está vocacionado para escrever memórias. Embora estas sejam memórias fúteis, não é? Mas como dizia a Simone de Beauvoir, “não há nada mais fútil do que achar fútil as coisas fúteis”.
- Questiona-se ao longo da obra?
- Como sou narrativa, a base da obra é feita de pequenas reflexões, ou seja, durante um ano e tal escrevia uma espécie de diário e questionava-me sobre certos fenómenos como por exemplo: Porque é que as pessoas têm tanta curiosidade sobre a Lili Caneças ou gostam de saber particularidades sobre a vida dos famosos?
- Que pergunta ficou por responder nessas suas reflexões?
-- As reflexões não dão respostas a tudo mas ajudam a perceber fenómenos como, por exemplo, as figuras que entraram de repente no nosso quotidiano. Não sei se a fama foi ter com elas ou se elas foram à procura da fama.
PERFIL
Paula Bobone, conhecida autora de “best-sellers” - “Socialmente Correcto” está na 20.ª edição - especializada em etiqueta, imagem, protocolo empresarial e cerimonial de casamentos, dá conferências, é consultora, cronista e promove cursos na Internet. A sua carreira passa pelo Ministério da Cultura, onde é funcionária superior, e Assembleia da República. Formou-se em Filologia Germânica na Universidade de Lisboa e em Cultura Italiana, em Itália. É casada, tem uma filha e vive em Lisboa.
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