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Correio da Manhã

Cultura
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PAULO CAETANO: O FUTURO DOS ANIMAIS IBÉRICOS ESTÁ A PRAZO

Paulo Caetano, jornalista, apresenta hoje, às 19h00, no Museu Geológico, em Lisboa, ‘Ibéria Selvagem’, livro de textos e fotos que levou três anos a fazer.
23 de Outubro de 2003 às 00:00
Correio da Manhã – ‘Ibéria Selvagem’, denuncia, à semelhança do anterior, “Portugal, Ainda”, preocupações ecológicas. São livros de um jornalista de ambiente que não encontra espaço nos jornais para exercer a sua paixão?
Paulo Caetano – Este livro começou com uma viagem que eu e o biólogo Joaquim Pedro Ferreira fizemos para observar linces, e alia o gosto de andar no campo e contactar com a natureza com o lado profissional. Digamos que é um ‘hobby’ rentabilizado. Mas sim, o ambiente é uma área difícil no jornalismo, embora tenha vindo a melhorar nos últimos anos. Em 89, quando comecei, era considerado uma excentricidade.
– Como é que descreveria ‘Ibérica Selvagem’ ao público?
– É uma viagem pelos últimos paraísos naturais da Península. Está organizado por capítulos, cada um dedicado a um animal em vias de extinção.
– Não são os animais mais óbvios: abutres, cabras, anfíbios...
– São animais emblemáticos desta zona, alguns dos quais as pessoas nem imaginam que existem na Península. Por exemplo: existem ursos a três quilómetros da fronteira portuguesa. Mas há capítulos sobre o lobo, o lince, rapinas nocturnas, animais venenosos, cegonhas, cavalos selvagens...
– Este livro foi escrito antes dos devastadores incêndios deste ano.
– Sim. Há sítios onde estivemos que já não existem. A Serra da Estrela, a Serra de São Mamede eram zonas naturais importantes.
– Um dia vamos ter conhecimento destes animais e destas paisagens apenas pelos livros?
– ...E pelo jardim zoológico. Sim, tenho esse receio. O caso do lince ibérico é significativo. Há cinco anos supunha-se que existiam 1500 em Espanha e 50 em Portugal. Neste momento, há 150 em Espanha e meia dúzia no nosso país. O futuro dos animais selvagens ibéricos está a prazo.
– No fim do livro, há fichas de campo para quem queira ficar a saber mais pormenores sobre os animais.
– Sim. Enquanto o resto do livro tem uma linguagem simples e conta histórias ao leitor, aí a informação é mais técnica, abordando questões como a reprodução, a distribuição dos animais pelo campo...
– Mas isso não é dar pistas aos caçadores? É que há quem cace, mesmo, espécies protegidas...
– Temos esse cuidado. Nesses casos, fazemos mapas menos rigorosos, com manchas abrangentes... O furtivismo é um dos maiores problemas dos ursos, por exemplo, de que só existem 80 na Península, a maior parte nas Astúrias. Felizmente, há equipas de vigilância que funcionam muito bem. Temos muito a aprender com os espanhóis.
PERFIL
Paulo Caetano nasceu em Lisboa em 1966 e começou a trabalhar em jornais em 1989. Tem colaborado com o ‘Expresso’, ‘Pública’ e ‘DNA’, assim como tem integrado várias equipas de trabalho na RTP, trabalhando em séries como ‘Sete Graus Oeste’ ou ‘Repórteres da Terra’. Na SIC, coordenou ‘Filhos da Nação’. Para a Expo’98, co-assinou a longa metragem documental ‘Águas Livres’. Integra a redacção da revista ‘Focus’.
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