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Correio da Manhã

Cultura
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Paulo Pires torna-se herói de ‘Rock’n’Roll’

Paulo Pires regressa esta noite ao Teatro Aberto para protagonizar – ao lado de Beatriz Batarda e Rui Mendes e sob a direcção de João Lourenço – ‘Rock’n’Roll’, texto com o qual o britânico Tom Stoppard (n. 1937) revê os acontecimentos históricos que rodearam a invasão soviética da Checoslováquia em 1968, provocando uma crise profunda na Esquerda ocidental.
26 de Março de 2008 às 00:30
Kjersti Kaasa e Paulo Pires (em cima), Beatriz Batarda e Rui Mendes integram o elenco
Kjersti Kaasa e Paulo Pires (em cima), Beatriz Batarda e Rui Mendes integram o elenco FOTO: Bruno Colaço
Na peça – cuja estreia oficial acontece amanhã mas que tem hoje uma antestreia para convidados – Paulo Pires é Jan, um checoslovaco que procura manter-se alheado das questões políticas e encontra na música a sua razão existencial. O actor diz que a personagem, com quem à partida não teria grandes pontos de contacto, lhe deu trabalho a construir, mas também grande prazer.
'No fundo a música é para o Jan uma metáfora da liberdade. É isso que ele mais deseja: ser livre', revela ao CM. Sobre a temática da peça, acredita que vai atrair público, mas de uma geração anterior à sua. 'Confesso que sei pouco sobre a vida no Leste antes da queda do Muro. Só visitei Praga depois disso. Mas há pessoas para quem aquilo que acontece na peça está muito presente. Essas vão identificar-se com este espectáculo – e muito.'
Beatriz Batarda, que encarna em cena duas personagens diferentes (mãe e filha) é da mesma opinião. 'O texto revela o mal-estar em que vivemos hoje. Uma era de falta de fé e de ideais e só espero que tenha aqui o mesmo sucesso que tem tido noutros países.'
Lidando com questões éticas, filosóficas e políticas complexas, o texto de Stoppard – com que João Lourenço construiu um espectáculo sem mácula – deixa-nos em paz. Mostra--nos que a felicidade é possível, senão colectivamente pelo menos numa perspectiva individual. E, claro, a música ajuda muito.
Ao longo de todo o espectáculo (que dura quase três horas) cada mudança de cena é acompanhada por pérolas da música rock e pop dos anos setenta e oitenta, desde Bob Dylan aos Rolling Stones. Afinal, a História também se faz de canções.
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