A Associação de Protecção e Conservação do Ambiente – APCA, com a aproximação do culminar da merecida homenagem prestada ao grande poeta Pedro Homem de Melo, figura incontornável da cultura portuguesa do século XX, não pode deixar também de homenageá-lo recordando algumas das suas facetas menos conhecidas, como o seu amor pela natureza e conservação da paisagem.
Não vamos dizer que era uma ambientalista ou ecologista, vamos antes caracterizá-lo como um homem que apreciava a natureza, aquilo a que hoje se chama o equilibrio ambiental, o desenvolvimento sustentável. Se nos debruçarmos sobre as suas extraordinárias obras literárias verificamos que dedicou, em muitas delas, uma atenção especial aos chamados componentes ambientais naturais (água, luz, solo, etc), num diálogo muito interessante e harmonioso com os componentes ambientais humanos que tão bem soube expressar nas suas obras, perpetuando para a posterioridade vivências e saberes do povo, através de uma descrição rigorosa de usos, costumes e danças do antanho.
Pedro Homem de Melo, amava a natureza e expressava-o preocupando-se com o rio de Afife, com a praia, a veiga, o monte. Intervinha na defesa destes valores ambientais, transportando-os como veículos de inspiração para sua obra poética e defesa dos valores etno-folclóricos. Aqueles que tiveram o privilégio de com ele contactar lembram-se certamente, da forma como ele falava do rio de Afife e apreciava a sua beleza, ou como os olhos lhe brilhavam quando se referia à praia de Afife e à pureza das suas águas, onde mergulhava com muita alegria, acompanhado pelo olhar atento da Sr.ª D.ª Helena nas areias cintilantes do vasto areal afifense.
Foram todos estes cenários que lhe serviram de inspiração, ou pelo menos que desde muito jovem o moldaram fazendo dele o poeta que hoje todos admiram. Mas também é verdade o desgosto que Pedro Homem de Melo tinha quando junto ao ancestral Convento de Cabanas lhe instalaram um matadouro de aves, que todos os dias despejava milhares de metros cúbicos de água no rio de Afife, tingindo de vermelho as águas cristalinas, que ele tanto admirava e onde se banhava desde menino e moço. Que desgosto ele tinha ao ver o rio naquelas condições, e que sofrimento lhe provocou tal situação, anos a fio, onde a tristeza o silenciava, sem contudo nunca ter deixado de amar o rio de Afife.
Uma das melhores homenagens que lhe podem prestar é preservar e a repor a legalidade no leito e margens do rio de Afife, onde infelizmente a mão atrevida e interesseira, tem criado situações, que em alguns casos, são verdadeiros casos de polícia. Homenagear um poeta como Pedro Homem de Melo, é também preservar os sítios que o inspiraram e dele fizeram raiar e brotar uma poesia do Povo para o Povo, uma admiração e respeito pelo seu semelhante, mas acima de tudo uma extraordinária bondade, própria e característica dos mais iluminados seres terrestres.
Esperamos que também esta faceta pouco conhecida de Pedro Homem de Melo, ajude alguns daqueles que o homenageiam a redimirem-se das barbaridades que tem praticado no rio de Afife e margens adjacentes e porque não no ambiente em geral.
Artigo da responsabilidade da Associação de Protecção e Conservação do Ambiente – APCA
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