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Correio da Manhã

Cultura
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Pensei que seria despedido dos U2

Numa entrevista transmitida sábado pela BBC Radio 4, Bono Vox, vocalista dos U2, revelou que o seu empenhamento na campanha mundial contra a pobreza causou tensões no seio da banda.
2 de Janeiro de 2006 às 00:00
'Temos de ter muito cuidado para eu não ir longe demais'
'Temos de ter muito cuidado para eu não ir longe demais' FOTO: Michael Hanschke, Epa
Apesar de confirmar que sempre teve um grande apoio, tanto espiritual como financeiro, dos colegas e amigos The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr., Bono declarou entender que os quatro formam “uma banda de rock’n’roll e uma banda de rock’n’roll tem como primeiro objectivo não ser enfadonha”. “Por isso, temos de ter muito cuidado para eu não ir longe demais”, explicou o músico.
Acrescentando que, durante os concertos dos U2, Larry Mullen controla com o seu relógio de pulso o tempo que ele gasta a falar na campanha contra a fome, o cantor confessou: “A determinada altura pensei que seria despedido do grupo. Cheguei a pensar que era um peso para a banda”.
Em conjunto com o músico Bob Geldof, Bono foi em 2005 um dos líderes da campanha Make Poverty History (em português intitulada Pobreza Zero) e do concerto Live 8 e a actual digressão dos U2, a ‘Vertigo’ – que passou por Lisboa em Agosto – é uma das mais politizadas da carreira do grupo.
“A certa altura cheguei a pensar que poderíamos cansar o nosso público mas isso não aconteceu”, declarou Bono. “As pessoas são inteligentes, sabem quais são os compromissos que assumimos. O público sente que, através de mim, a sua voz é mais forte e a banda consegue ver isso”.
Bono adiantou que, hoje em dia, Edge, Adam e Larry – com quem formou os U2 em Dublin, em 1977 – reconhecem que o público dos seus concertos aprecia o trabalho humanitário que, só em 2005, lhe valeu a nomeação para o Nobel da Paz e a distinção, ‘ex-aequo’ com o casal Gates, de Pessoa do Ano da revista ‘Time’.
Recorde-se que a digressão ‘Vertigo’, que ainda decorre e promove o álbum ‘How To Dismantle An Atomic Bomb’, foi a segunda mais rentável do ano que agora findou nos Estados Unidos. Ali, a banda deu 78 concertos para 1,4 milhões de pessoas e embolsou 118 milhões de euros. Em primeiro ficou a ‘Bigger Bang Tour’, dos Rolling Stones, com 137 milhões de euros.
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