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Pessoa visto por Botelho

Cláudio da Silva é o protagonista escolhido por João Botelho para o seu novo filme, ‘O Filme do Desassossego’, cuja rodagem arranca em Novembro, em Lisboa. Homenagem ao ‘Livro do Desassossego’, de Bernardo Soares, semi-heterónimo de Fernando Pessoa, este será o maior desafio para o realizador.

30 de setembro de 2009 às 00:30

"É o meu filme mais arriscado. Posso dizer que ajudei um bocadinho o Pessoa, agora ajuda-me ele a mim", diz o cineasta, lembrando a sua estreia em 1981, quando filmou ‘Conversa Acabada’, sobre Pessoa e Mário de Sá Carneiro, antes mesmo da primeira edição do ‘Livro do Desassossego’ (1982).

Vinte e sete anos depois, Botelho reinventa a obra: "Vou fazer o meu ‘Livro do Desassossego’, um filme na Lisboa de hoje. O Bernardo Soares de hoje seria um funcionário público, que vive em Telheiras e anda de metro", imagina Botelho.

O "percurso de três dias e três noites" do protagonista passará por locais emblemáticos de Lisboa – Martinho da Arcada, Cais das Colunas, Rossio – e Sintra e a rodagem arranca no final de Novembro.

Antes, Botelho roda um documentário de 10 minutos sobre Lisboa, encomenda da Câmara, para "mostrar como está hoje a Lisboa de Pessoa." O protocolo estende-se ao ‘Filme do Desassossego’ (apoio de 200 mil euros), ao qual se junta o financiamento do ICA e da RTP. O orçamento da produção da Ar de Filmes ronda 1,5 milhões de euros.

Sobre o protagonista, Cláudio da Silva, Botelho não poupa elogios: "É como o Gael García Bernal, mas mais bonito. E enche o ecrã." E se o actor que interpretará Fernando Pessoa ainda não está escolhido, o cineasta tem já certezas quanto ao restante elenco: "É a minha família de actores: Rita Blanco, Alexandra Lencastre, Miguel Guilherme, Maria João Luís, Marcello Urgeghe..."

Receio de críticas ao filme por parte dos puristas? Nenhum. "O que tem graça neste livro é que cada um pode fazer o seu. Se não gostarem, façam outro", desafia.

DETALHES

OPINIÕES DE EXPERTS

Botelho vai pedir opinião sobre o argumento a Richard Zénith, Fernando Cabral Martins e Luísa Costa Gomes. "O essencial está feito, mas é só para saber se há alguma imprecisão."

VENDAS INTERNACIONAIS

Alexandre Silva, produtor, e Botelho já estão a negociar "pequenas vendas internacionais" (do DVD a lançar depois) com produtores de Espanha, França, Itália, Brasil.

ÓPERA E TEATRO

Filme será "fragmentado, rápido e intenso". Botelho já fez um libreto de uma ópera, a partir de um texto de Pessoa, para uma cena a rodar no São Carlos, e uma peça de teatro que se passará num cabaré.

DISCURSO DIRECTO

"É UM GRANDE DESAFIO": CLAÚDIO SILVA, ACTOR

Correio da Manhã – É a sua estreia num papel de protagonista no cinema. Como a encara?

Cláudio da Silva – É um grande desafio. Não só pelo nível de trabalho que me vai ser exigido, mas também pela responsabilidade da personagem e do texto.

– Como é que se está a preparar para o ‘Bernardo Soares’?

– Estou a ler e a reler o livro. Já tinha estudado Pessoa na Universidade (Católica) e tido contacto com os seus heterónimos, mas este é um livro que se vai lendo e a que regressamos quando sentimos mais afinidades com os textos.

– Acha que o filme lhe dará visibilidade e abrirá portas?

– Imagino que sim. Já fiz algumas curtas-metragens, mas estou mais ligado ao teatro e à performance, ao movimento, à dança... mas não sei o que vai acontecer a seguir.

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