A Inês, de oito anos, não gosta de Emanuel (a ‘onda’ dela é mais D’ZRT), mas nem por isso deixou de acompanhar a mãe, Paula (41 anos), a avó, Helena (65), e a tia Ana (39), ao concerto do homem que, anteontem à noite, levou à loucura o Coliseu dos Recreios, em Lisboa.
Pais e maridos ficaram em casa, claro, pois o Sporting recebia o Futebol Clube do Porto no Estádio de Alvalade e o jogo até era transmitido pela televisão... “Acho que a data do concerto foi mal escolhida”, comentava Helena. “Muitos homens preferiram ficar a ver o jogo...”
Aliás, foi mesmo o futebol – e o caos que provocou no trânsito da capital – que justificou que o espectáculo arrancasse com 15 minutos de atraso. Finalmente, e quando o público já estava a ficar ansioso, Emanuel desceu, literalmente, da teia (tecto) do palco num elevador, e deu início a uma noite de festa que não deixou ninguém indiferente.
Com a sua música, feita de acordes populares, e as letras ‘malandrecas’, pôs toda a gente a dançar, transformando o Coliseu num enorme salão de baile, com o público a fazer fila indiana e a percorrer a plateia de braços no ar. E estamos a falar de gente de todas as faixas etárias: espectadores entre os 20 e os 80, rendidos ao fascínio ‘pimba’.
“És o rei!”, gritava para o palco um rapaz de 20 e poucos anos. Logo a seguir, pegou na mão da namorada e arrastou-a para a coxia, para dar um pezinho de dança. Atrás dele, uma rapariga vestida de ‘top’ preto e exibindo uma enorme tatuagem nas costas (seria um dragão?), batia palmas entusiasticamente, enquanto a avó (?), ao lado, apreciava a música sentadinha no seu lugar.
Mas se o ambiente geral era de convívio familiar e Emanuel tratava os fãs por “amigos” e “amigas”, no meio da plateia fomos desencantar os fãs número um do cantor: a mãe, Elisa, o pai, Alfredo, e a tia, Manuela, vinda do Porto propositadamente para assistir ao espectáculo.
“Não somos fanáticos”, garantiu-nos o pai. “Não andamos atrás dele para todo o lado, como muita gente faz, mas sempre que possível, vamos aos concertos, claro”, concluiu.
No meio da plateia, especialmente atenta, estava uma amiga e colaboradora habitual do cantor, Chiquita. “Gosto dele. Primeiro como pessoa, depois como cantor. E adoro assistir aos seus concertos”, afirmou, enquanto batia com o pezinho a marcar o ritmo das canções.
No final, e como que a coroar uma noite por demais animada, outra amiga, Simara, foi ao palco com um enorme ramo de flores para entregar ao homem que tinha posto Lisboa a dançar.
Para além das músicas que o público conhece de cor, Emanuel aproveitou o concerto para revelar alguns temas do próximo disco, ‘Declaração de Amor’, a sair em Maio. Foi tempo para ouvir a canção que dá título ao álbum e também ‘Mil Noites de Carinho’, Amor entre os Amores’ e ‘Querida Noiva’.
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