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Correio da Manhã

Cultura
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Poesia mesmo sem falar

Há 21 anos o poeta sueco Tomas Tranströmer sofreu um acidente vascular cerebral que o deixou com metade do corpo paralisado e quase sem conseguir falar. Apesar disso, o escritor e também psicólogo, hoje com 80 anos, nunca parou de escrever, sempre longe dos holofotes mediáticos e isolado numa pequena ilha da Suécia. A Academia não se esqueceu da força realista dos seus versos e atribuiu-lhe ontem, em Estocolmo, o Nobel da Literatura.
7 de Outubro de 2011 às 01:00
Isolado numa ilha sueca, Nobel aceitou ontem ser fotografado
Isolado numa ilha sueca, Nobel aceitou ontem ser fotografado FOTO: Jessica Gow/Reuters

O historiador Peter Englund, que anunciou o prémio, disse que Tranströmer não queria acreditar quando soube da notícia. "Estava a ouvir música", partilhou. Já a sua mulher, Monica, explicou que o laureado se sentiu "emocionado" e até se deixou fotografar na sua casa: "Não acreditava que pudesse vir a assistir a isto", sublinhou. Apesar de desconhecido para muitos, o Nobel que sucede a Mário Vargas Llosa é considerado o maior poeta vivo da Suécia.

Em Portugal estão editadas duas antologias suas. Numa delas, ‘21 poetas suecos’ (editora Vega, 1981), Tranströmer escreve sobre as cidades de Lisboa e do Funchal. "No bairro de Alfama os eléctricos amarelos cantavam nas calçadas íngremes//Havia lá duas cadeias/Uma era para ladrões/Acenavam através das grades/Gritavam que lhes tirassem o retrato", lê-se em ‘Alfama’.

Nascido em 1931 na capital sueca, começou a publicar versos aos 23 anos, com ‘17 Poemas’. Psicólogo de formação – chegou a trabalhar com jovens delinquentes –, editou 15 obras, procurando embarcar na relação entre o íntimo e o social, sem esquecer o lado profundo da identidade. Num só dia, deixou a reclusão e tornou-se o 7º autor sueco a ganhar o Nobel.

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