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Correio da Manhã

Cultura
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Por Amore à música

Andrea Bocelli regressa esta noite (21h30) a palcos nacionais, para um concerto singular no Pavilhão Atlântico. Na verdade, contrariando a lógica promocional que sempre preside às digressões, o tenor italiano vai privilegiar as composições operáticas, ao invés do seu mais recente disco. Mas ‘Amore’ (título do álbum) vai passar também pelo Atlântico, muito embora num ‘formato’ especial.
22 de Outubro de 2006 às 00:00
Dividido em duas partes, o concerto terá a sua primeira metade preenchida exclusivamente com música clássica. Acompanhado pela Orquestra Sinfónica e Coro das Nações, Bocelli interpretará obras de Dvorak, Mascagni, Lehar, Pucinni, Verdi e Bizet, num alinhamento em que contará ainda com as participações especiais da soprano Doriana Milazzo e do barítono Gianfranco Montresor.
Na segunda parte, centrada no repertório pop e em ‘Amore’, Bocelli será acompanhado pela cantora Rosália Misseri, em canções como ‘Besame Mucho’, ‘Jurame’, ‘Somos Novios’, ‘Can’t Help Falling in Love’ e ‘Because We Believe’, entre outras.
Desde muito cedo que Andrea Bocelli despertou para a música. Com apenas seis anos, Bocelli começou a tocar piano e, influenciado pelos pais, aprendeu ainda flauta e saxofone.
Nascido com glaucoma, Bocelli acabou por perder por completo a visão aos 12 anos, depois de uma hemorragia cerebral consequência de uma pancada sofrida num jogo de futebol. Mas, à semelhança de outros artistas (ver caixas), a tragédia não o impediu de abraçar a sua paixão, a música. Antes, porém, ainda prosseguiu os estudos, formou-se em direito e exerceu em tribunal.
Mas após um encontro com o lendário tenor Franco Corelli, o jovem Bocelli passou a frequentar as suas aulas. O dinheiro arranjava-o tocando piano em bares à noite. Até que em 1992, o cantor Zucchero o descobriu e apresentou a Pavarotti, que de imediato com ele quis gravar ‘Miserere’ , uma canção que escrevera em parceria com Bono (U2). Foi o início de uma fulgurante carreira que teve o condão de unir dois universos até então de costas voltadas: a música clássica e a pop.
O FADO DAS RUAS DE DONA ROSA
Até há meia dúzia de anos o talento de Dona Rosa era privilégio apenas dos apressados traseuntes da baixa lisboeta. Mas tudo mudou com um programa de TV idealizado pelo produtor e empresário austríaco André Heller, que a retirou à mendicidade. Dona Rosa gravou então um disco (com o seu nome como título) e impressionou meio mundo. A acompanhá-la esteve Ricardo Dias (Brigada Vítor Jara, compositor e arranjador de Mísia). Mais que uma grande voz, Dona Rosa empresta ao seu fado a miséria da condição humana que conheceu na pele.
RAY CHARLES, O 'REI' DA MÚSICA SOUL
Tal como Andrea Bocelli, Ray Charles nasceu com glaucoma (a 23 de Setembro de 1930) e perdeu a visão completa muito cedo, aos seis anos. Mas isso não o impediu de estudar música e aprender a tocar vários instrumentos. Após um início de carreira tocando em bares, Ray conseguiu o seu primeiro êxito em 1951 (‘Baby Let Me Hold Your Hand’). Foi o tiro de partida para uma carreira cuja virtude maior foi a de impulsionar a soul music e levar o gospel para fora das igrejas. Gravou dezenas de discos e conquistou uma dúzia de Grammy.
STEVIE WONDER, O CAMPEÃO GRAMMY
Nasceu prematuro a 13 de Maio de 1950 e aí residirá, acreditam muitos, a causa da sua cegueira, já que um excesso de oxigénio terá agravado a retinopatia de prematuro. Baptizado de Steveland Hardaway Judkins, Stevie Wonder ficou sem visão ainda criança, altura em que começou a exibir especial talento para a música. A sua influência maior foi... Ray Charles. Com um particular sentido melódico e uma notável capacidade para arranjos ‘complicados’, Stevie Wonder é um dos campeões dos Grammy: nada mais nada menos do que 21.
"A ÓPERA DÁ EXPRESSÃO MAIS FORTE AO AMOR"
CANTOR ITALIANO CONFESSA PREFERÊNCIA
Correio da Manhã – Que recordações guarda das passagens por Portugal?
Andrea Bocelli – Belas memórias. Lembro-me do público, muito quente e afectuoso.
– Há públicos melhores do que outros?
– Não. É mais ao contrário: as performances é que são melhores ou piores e dependendo delas a reacção do público é melhor ou pior.
– Como vai ser o concerto no Pavilhão Atlântico?
— Vou cantar com uma orquestra que já trabalhou comigo antes e que me é muito familiar. E o concerto vai incluir aqueles temas italianos – as árias, as melodias românticas – assim como canções do novo álbum ‘Amore’.
– Por falar em amor... como é o ‘Amore’?
– É um disco de amor (risos). São temas que trespassam gerações, não são novos. Através de ‘Amore’ dizem-se coisas que seriam mais difíceis se fossem ditas directamente.
– Terá convidados em palco?
– Sim, um soprano e um cantor que me acompanha nos duetos.
– Gosta mais de cantar ópera ou música pop?
– Sempre me inclinei mais para a ópera, sempre consegui comunicar através dela fortes sentimentos e todas as paixões. A ópera dá uma expressão mais forte ao amor, aos sentimentos e, por causa dela, consigo também fazê-lo através de outros géneros musicais.
– O que pretende transmitir ao público português?
– A música é transmitir emoções e, sem querer insistir num cliché, a música deveria fazer com que as pessoas ficassem mais próximas de Deus.
– E o Andrea Bocelli quando canta fica mais perto de Deus?
– Tento estar sempre perto d’Ele até quando não estou a cantar. Penso ser sempre assim.
– Quando se fala em Portugal, o que lhe vem logo à cabeça?
– Lembro-me do que aprendi na escola, quando era pequeno. E conheço o Eusébio, sei bastante sobre futebol. Depois de aí voltar terei com certeza muito mais para contar.
PERFIL
Bocelli nasceu a 22 de Setembro de 1958, em Lajatico, Toscânia, Itália, e é um dos maiores artistas da actualidade com carreira na área da ópera e da música pop. No universo da música clássica, o cantor italiano é o artista a solo que mais discos vendeu em toda a História da indústria musical, com mais 50 milhões de discos vendidos em todo o Mundo.
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