page view
Imagem promocional da micronovela
MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Porto quer verbas para cultura distribuídas segundo critérios de coesão territorial no âmbito do PRR

Plano de Recuperação e Resiliência prevê a requalificação de 49 museus, monumentos, palácios e teatros do país, num total de 21 em Lisboa e um no Porto.

03 de maio de 2021 às 15:43

A Câmara do Porto aprovou esta segunda-feira uma recomendação ao Governo e à Assembleia da República em que defende que as verbas para a cultura no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência devem obedecer a critérios de coesão territorial.

A versão do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) entregue em 22 de abril em Bruxelas inclui 243 milhões de euros destinados ao setor da cultura, com 150 milhões para a requalificação do património e 93 milhões para "redes culturais e transição digital".

O plano prevê a requalificação de 49 museus, monumentos, palácios e teatros do país, num total de 21 em Lisboa e um no Porto, indicou o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, na reunião do executivo desta manhã.

A recomendação aprovada, por unanimidade, resulta de uma iniciativa do Conselho Municipal de Cultura que, reunido em 27 de abril, aprovou, também por unanimidade, uma deliberação manifestando a sua preocupação "pela gestão centralizada e centralizadora dos Fundos Estruturais relativos à Cultura", no âmbito do PRR.

"O Conselho Municipal de Cultura manifesta profunda perplexidade perante as notícias que dão conta dos critérios de distribuição das verbas do PRR referentes à cultura, que se direcionam na sua esmagadora maioria para equipamentos culturais de Lisboa, esquecendo princípios básicos de coesão territorial que deviam estar presentes e nortear a boa execução do referido plano", assinalam os conselheiros na referida deliberação, citada pela maioria municipal esta segunda-feira.

Considerando que os desequilíbrios manifestos na distribuição dessas verbas, a maioria no executivo, liderada pelo independente Rui Moreira, propõe recomendar "ao Governo e à Assembleia da República que as verbas dos Fundos Estruturais a serem disponibilizadas, relativas à Cultura, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência, obedeçam a critérios de distribuição nacional que cumpram os princípios básicos de coesão territorial".

Pede-se ainda que seja dado conhecimento desta recomendação ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

No caso da cidade da Porto, a única estrutura contemplada é o Museu Soares do Reis, mas não é, sublinhou Rui Moreira, por falta de projetos na invicta.

"isto sucede poucos dias depois de uma reunião que eu tive com a senhora ministra da Cultura em que concordei que a Câmara do Porto e o Ministério da Cultura irão custear, em partes iguais, a reabilitação do Coliseu. Portanto, não se diga que não havia projetos no Porto", sublinhou, acrescentando que há ainda o projeto da biblioteca municipal em que o município vai fazer um investimento de cerca de 35 milhões de euros.

O autarca independente considera até que, nesta matéria, Porto e Lisboa deviam ter sido discriminados "negativamente" em favor outras regiões do país, contudo, disse que o que não pode acontecer é que sejam 21 em Lisboa e apenas um no Porto.

"Eu estaria de acordo com uma discriminação negativa, não pode ser é sé relativamente ao Porto", observou.

Moreira reconhece que em relação a esta desigualdade ainda pode ser feito algo no âmbito do novo quadro de apoio comunitário, contudo, nesta altura "é apenas uma pretensão e as experiências dos últimos quadros não têm sido grande coisa", rematou.

O vereador do PSD, Álvaro Almeida, acusou os governos socialistas de terem uma "marca" centralista, que teve como seu "expoente máximo" o processo de transferência para o Porto do Infarmed.

"Nós, apesar de temos a Entidade Reguladora para a Saúde, porque foi um governo PSD/CDS que a colocou no Porto, assim como o Banco do Fomento, e porque está no Porto, este Governo não o consegue fazer arrancar como deve ser", lamentou.

Já a vereadora da CDU, Ilda Figueiredo, sublinhou a necessidade de continuar a defender a descentralização e a regionalização numa luta contra o centralismo, tanto na cultura como em outras áreas.

Pelo PS, Manuel Pizarro reconheceu que o país tem problemas sérios de centralismo "exacerbado" que prejudicam gravemente o desenvolvimento nacional, mas acusou o PSD de ter apenas vocação descentralizadora quando está na oposição.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Vidas

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8