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Correio da Manhã

Cultura
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Portugal é hostil para os seus filhos

Com mais de três décadas de carreira consagradas à guitarra clássica, o músico português Silvestre Fonseca acaba de editar uma nova série de três livros de estudo. Com selo da prestigiada ‘London Guitar Studio’, estas obras vão agora servir de objecto de estudo em várias universidades internacionais.
13 de Janeiro de 2005 às 00:00
Por cá, porém, poucos reconhecem o trabalho de Silvestre Fonseca. Talvez porque, tal como o afirma, “Portugal é hostil para os seus filhos”.
Pelo contrário, além-fronteiras, o trabalho do guitarrista luso é sobejamente elogiado. “O meu editor diz-me que Portugal deveria dar-me um prémio por aquilo que faço. Mas, infelizmente, Portugal é um País hostil para os seus filhos, não só na música mas também nas ciências, na escrita, etc. Há uma falência das editoras, por causa da pirataria, mas também há problemas de distribuição. Muita gente quer comprar música portuguesa e não a encontra. As rádios e as TV também não a passam, justificando-se com audiências. É necessário repensar esta orgânica, até porque os artistas portugueses já deram provas de que são bons”, defendeu.
PARA GRANDES ORQUESTRAS
De acordo com o guitarrista, a maior virtude da sua obra é “disponibilizar partituras de temas da música portuguesa para o Mundo inteiro”, disse, exemplificando com ‘Porto Sentido’, de Rui Veloso, uma das muitas canções incluídas no projecto.
“Os livros serão distribuídos em várias universidades internacionais, nomeadamente nos EUA, Japão e Austrália, o que equivale a dizer que a nossa música pode agora ser tocada por grandes orquestras. Além de pedagógicos, estes livros vêm ainda colmatar a falta de repertório e arranjos para músicos que vivem de tocar em bares ou restaurantes”, disse.
A viver entre Portugal, Cabo Verde e Inglaterra, Silvestre Fonseca prepara-se entretanto para uma série de apresentações ao vivo. A primeira, um concerto de guitarra e canto, realiza-se dia 21, na Azambuja. No dia seguinte toca na Igreja do Cartaxo, com a Orquestra Lusitana e a cantora Juliana Mauger, seguindo-se um concerto de mornas, com Celina Pereira, Dani Silva e Rita Lobo, a 23, no Auditório Camões, em Lisboa.
POMPA EM LONDRES
Os três volumes da colecção de Silvestre Fonseca foram lançados com ‘pompa e circunstância’ no Latin Quarter do London Guitar Studio, em Londres, no passado mês de Dezembro.
A cerimónia contou com a presença de várias personalidades do meio diplomático e musical internacional, entre as quais Teresa Wasalaba (directora da revista ‘Classical Guitar’), o guitarrista John Williams, o prestigiado técnico de som John Taylor, e o ‘culturchief’ norueguês Yan Jacobson, entre outros.
A representação diplomática portuguesa, contudo, primou pela ausência, por razões que Silvestre Fonseca desconhece. Na ocasião, o músico português e a guitarrista britânica Anne Catherine interpretaram vários temas do repertório musical português, bem como alguns originais.
COLECÇÃO DIDÁCTICA
Silvestre Fonseca iniciou a sua colecção de obras de carácter pedagógico há sete anos, com ’Traditional Portugal Folk Songs’. No final do ano passado, a série ‘Silvestre Fonseca Collection’ teve finalmente continuidade com o lançamento dos novos volumes.
O primeiro é inteiramente dedicado à música portuguesa, com fados tradicionais e repertório ligeiro, casos de ‘Madragoa’ e ‘Olhos Castanhos’. O segundo disponibiliza partituras de algumas das mais famosas canções de sempre (como temas de Eric Clapton ou dos Beatles), sendo o terceiro preenchido com originais de Silvestre Fonseca. Além de texto e partituras, todos os livros são acompanhados por um CD.
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