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Correio da Manhã

Cultura
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Portugal vendeu a alma ao diabo

“Portugal é uma espécie de Fausto: vendeu a alma ao diabo, em troco de dinheiro, e agora que tem de pagar a fatura, gostaria de poder recuar”, diz o encenador Francisco Salgado, que está a apresentar, até 2 de junho, ‘Fausto’ na Sala Estúdio do Teatro Nacional D. Maria, em Lisboa.

27 de Maio de 2013 às 16:21
Pedro Gil é, em cena, um Fausto que se arrepende. O espetáculo é para ver até dia 2 de junho na Sala Estúdio do TNDM II
Pedro Gil é, em cena, um Fausto que se arrepende. O espetáculo é para ver até dia 2 de junho na Sala Estúdio do TNDM II FOTO: Jorge Paula

Proposta radical que muito deve à linguagem da performance - com sacos de água a serem rebentados em cena e uma retroescavadora a tirar livros de um sítio para outro - aqui se conta a história do homem que trocou a salvação da sua alma por 24 anos de prazeres terrenos, poder e conhecimento, e que acaba arrependido, a pedir intervenção divina que lhe evite o inferno.

A partir de ‘Fausto: Uma Tragédia Subjetiva', de Fernando Pessoa, e o ‘Doutor Fausto', de Christopher Marlowe, o espetáculo recria livremente os textos para se oferecer como uma crítica atual a um certo modo de vida. Em cena, por exemplo, Fausto (Pedro Gil) e Mefistófeles (Pedro Lacerda) usam fatos de treino e ténis de marca...

"Queríamos aludir à forma como se vive no Ocidente: queremos possuir estes objetos sem pensar na forma como são produzidos, em países que escravizam trabalhadores", sublinha Maria Mendes, co-responsável pela dramaturgia.

No elenco deste ‘Fausto' está ainda Mia Farr, e, na banda sonora, há duas canções dos Rolling Stones. No final, deixa-nos uma espécie de recado: "Quem o prazer ama, pelo prazer há-de morrer."

Cultura Teatro Teatro Nacional D. Maria II 'Fausto'
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