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Correio da Manhã

Cultura
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Portugal visto pela Magnum

A forma como os fotógrafos da agência Magnum, uma das mais prestigiadas do Mundo, olharam para Portugal ao longo dos últimos 50 anos é o tema principal da exposição patente até 28 de Agosto no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.
24 de Julho de 2005 às 00:00
s  ‘Espelho Meu – Portugal Visto por Fotógrafos da Magnum’
s ‘Espelho Meu – Portugal Visto por Fotógrafos da Magnum’ FOTO: Martin Parr (Magnum)
A mostra ‘Espelho Meu – Portugal visto por Fotógrafos da Magnum’ apresenta uma selecção de 70 das mais de mil imagens sobre o País existentes nos arquivos da sede da Magnum, em Paris.
As fotografias, na sua maioria inéditas, “exprimem a visão dos fotógrafos de Portugal e dos seus habitantes”, conforme explica Alexandra Fonseca Pinho, uma das comissárias da mostra, juntamente com Andréa Holzherr. “Preocupámo-nos em seleccionar imagens de grande qualidade e originalidade que contribuíssem para evidenciar como Portugal e os portugueses foram e são vistos”, adiantou.
Numa primeira época, de 1955 ao 25 de Abril de 1974, o “isolamento e o atraso de um País fechado sobre si mesmo” foram retratados por Henri Cartier-Bresson e Inge Morath.
Dez anos mais tarde, após a Revolução de Abril, os profissionais da Magnum fotografaram “um País que misturava religião e marxismo nas suas devoções”, recordou.
Guy Le Querrec, Jean Gaumy e Gilles Peress acompanharam o período revolucionário de 1974 e 1975 e as suas imagens “constituem o único núcleo temático claramente jornalístico” da mostra.
A partir de 1976, os fotógrafos da agência chegaram a Portugal para exprimirem as suas perspectivas individuais, como o provam as imagens de Bruce Gilden, Bruno Barbey, Gueorgui Pinkhassov e Martin Parr.
SURPRESO COM PORTUGAL
Os arquivos da Magnum sobre o País acabavam no virar do século. Para preencher o vazio cronológico e conceder uma visão mais contemporânea ao seu arquivo, a agência escolheu Susan Meiselas, Miguel Rio Branco e Josef Koudelka para captar Portugal no final de 2004 e início de 2005.
Susan Meiselas decidiu fotografar o bairro da Cova da Moura, na Amadora, habitado por uma vasta comunidade de origem cabo-verdiana e caracterizada “por um forte sentido de comunidade”, de acordo com a fotógrafa para quem “cada esquina tem uma personalidade distinta” mas “certas encruzilhadas devem ser evitadas”.
Josef Koudelka passou seis semanas a viajar pelo País e confessou-se “surpreso com o que Portugal mudou desde os anos 70”. Captou paisagens com uma máquina panorâmica de grande formato.
Por sua vez, o brasileiro Miguel Rio Branco apresenta trabalhos marcados por uma visão muito pessoal do País: “Portugal deixa-me sempre profundamente emocionado. Mais uma vez, procuro ali as raízes que perdi”, observou.
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