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Correio da Manhã

Cultura
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Português de 'Grand Budapest Hotel' espera contribuir para artes decorativas nacionais

Com a conquista do Óscar, Gonçalo Jordão está confiante que este tipo de trabalho "vá acontecer mais vezes".
23 de Fevereiro de 2015 às 18:59
Gonçalo Jordão
Gonçalo Jordão FOTO: CMTV

O português que fez parte da equipa galardoada com um Óscar de melhor cenografia disse esta segunda-feira à Lusa sentir-se "um privilegiado", e manifestou esperança em que o prémio contribua para a valorização das artes decorativas em Portugal.

"Senti-me premiado, privilegiado por ter estado envolvido naquele projeto com um realizador tão exigente. Senti-me muito bem", afirmou Gonçalo Jordão que assistiu em direto, na madrugada de hoje, à cerimónia de entrega os prémios atribuídos pela Academia de Ciências e Artes Cinematográficas dos Estados Unidos.

Em declarações à agência Lusa, em Viana do Castelo, onde está a recuperar as pinturas de um edifício municipal, adiantou que, além de "catapultar" a sua carreira, esta distinção será "importante" para "ajudar cada vez mais" a valorizar as artes decorativas em Portugal.

"Quando há esta visibilidade exterior as pessoas acordam para uma realidade que pensam que não interessa. Cada vez mais é preciso dar mais valor à arte, aos espaços públicos, mesmo às casas. As pessoas esqueceram-se disso. É importante estarmos rodeados de beleza, senão vivemos infelizes", sustentou.

O filme 'Grand Budapest Hotel', do realizador norte-americano Wes Anderson, conquistou quatro Óscares, sobretudo os de categorias técnicas, entre os quais o de cenografia.

"Foi um trabalho árduo mas que valeu a pena, foi compensatório, foi muito merecido", desabafou Gonçalo Jordão.

O pintor português de 41 anos de idade, nasceu e estudou em Lisboa, na Fundação Ricardo Espírito Santo Silva, onde a mãe foi mestre durante cerca de quatro décadas. Foi convidado há cerca de três anos para integrar a equipa que criou os cenários do filme agora premiado.

"Foram-me dadas fotocópias dos quadros que era preciso reproduzir e ampliar para áreas enormes. Trabalhei em cima dessas fotocópias, com o meu sistema de quadrículas, e desenhei direto sobre a superfície como quando faço uma pintura mural", explicou Gonçalo Jordão, há nove anos a residir no Alentejo, de onde é natural o pai.

Com a conquista deste Óscar, Gonçalo Jordão está confiante que este tipo de trabalho "vá acontecer mais vezes" e adiantou ter "projetos alinhavamos na Europa, e nos EUA, quer na área do cinema quer da recuperação de palácios".

Além do filme agora premiado, Gonçalo Jordão, filho de uma pintora natural de Viana do Castelo, já tinha trabalhado nos cenários do filme 'A Bela e o Monstro' e 'O Quinto Poder".

No filme Grand Hotel Budapeste trabalhou sobretudo nas pinturas dos murais do 'lobby' do hotel, com paisagens da Bavária.

"Este trabalho foi feito no inverno, no norte da Alemanha, com um nível de exigência muito alto, porque eram reproduções fiéis dos quadros do pintor alemão Caspar David Friedrich. Correu muito bem", frisou, apesar de admitir ter-se tratado de "um grande desafio", quer pelo tamanho, quer pelo tempo disponível.

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