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Correio da Manhã

Cultura

Portugueses dizem sim ao Código

Os críticos podem não ter gostado de ‘O Código Da Vinci’, mas o espectador comum não quer saber das opiniões dos especialistas e esgotou as salas de cinema um pouco por todo o País, logo na estreia (ontem). À saída das salas, as manifestações de apreço foram uma constante de Norte a Sul.
19 de Maio de 2006 às 00:00
A estreia de ‘O Código Da Vinci’ motivou uma pequena corrida às salas de todo o País
A estreia de ‘O Código Da Vinci’ motivou uma pequena corrida às salas de todo o País FOTO: Bruno Colaço
“Excelente. Muito bom. Adoro os actores. É uma adaptação do livro muito fiel.” As reacções captadas à saída dos cinemas UCI, no El Corte Inglés, em Lisboa, resumem o espírito do público que, desde ontem, já comprou mais de dois mil bilhetes para as primeiras exibições do filme de Ron Howard, só no El Corte Inglés. Até hoje, as sessões da noite esgotaram e sobram poucas cadeiras para as da tarde. Para o fim-de-semana, ainda há bilhetes. Mas poucos!
A polémica em torno do ‘Código’ assenta em particular no papel da Opus Dei e na teoria de que Jesus Cristo teria casado com Maria Madalena e deixado descendência. Em Portugal, a Opus Dei não censura a obra mas rotula-a de “um embuste”, segundo José Rafael Espírito Santo à rádio TSF. No filme de Ron Howard, a organização é ‘descrita’ como pouco católica, com membros criminosos.
A polémica, que só encontra paralelo com o sucedido em 1988, quando Martin Scorsese estreou ‘A Última Tentação de Cristo’, motivou também alguns a assistirem à estreia. Foi o caso de Mickael Oliveira, um estudante de 19 anos que, apesar das “dúvidas” quanto às teorias expressas no filme, preferiu salientar o valor “da história, muito boa”.
Na verdade, grande parte dos espectadores considera que “a polémica só reverte a favor da película” e, por isso mesmo, acorreu às salas, fazendo tábua rasa dos apelos ao boicote vindos do Vaticano, dos muçulmanos e de várias comunidades católicas. Em Lisboa, a estreia de ‘O Código’ foi aproveitada por 300 convidados da American Power Conversion, empresa de sistemas informáticos, que presenteou os seus clientes com uma sala exclusiva para a estreia.
LEIRIA ESTREIA SOM E IMAGEM
Em Leiria, a estreia do ‘Código’ foi assinalada com a entrada em funcionamento de um novo sistema de som, imagem e iluminação nas salas O Paço – José Lúcio da Silva. Um investimento de 20 mil euros, que permite um melhor recorte e definição das imagens, evitando que o espectador rode o pescoço para ler as legendas. Aguardado por todos os cinéfilos, não é pois de estranhar que o filme esteja a esgotar as bilheteiras.
O QUE DIZEM OS PROTAGONISTAS
Em Cannes, onde a estreia de ‘O Código Da Vinci’ reuniu as estrelas do filme, as reacções à polémica não se fizeram esperar. Aqui ficam algumas das declarações proferidas pelos protagonistas:
“O filme é entretenimento e não Teologia. É uma conversa provocatória, mas a ficção não é isso mesmo?” (Ron Howard)
“Acho que nenhum filme irá alterar a maneira de pensar e da nossa própria herança religiosa. Isto não é um documentário.” (Tom Hanks)
“Estou muito contente por saber que Jesus era casado. Sei que a Igreja Católica tem problemas com os gays e pensei que esta seria a prova irrefutável de que Jesus não era gay.” (Ian McKellen)
“Não tenho opinião sobre a Opus Dei. A linguagem do mundo é feita pela escolha. É quase como o amor.” (Alfred Molina ao CM)
“200 milhões de pessoas leram o livro e cada uma tem a sua opinião; a nossa é só mais uma.” (Alfred Molina ao CM)
“O Teabing não é muito diferente do Gandalf.” (Ian McKellen ao CM)
“É um livro muito difícil de adaptar; em cada página, o Dan Brown excitava a nossa curiosidade.” (Ian McKellen ao CM)
“Sou mais uma pessoa espiritual do que religiosa. A fé não pode ser alterada.” (Audrey Tautou ao CM).
REACÇÕES
"DIFÍCIL PARA QUEM NÃO LEU" (Óscar Vieira, 19 anos, Lisboa)
“Gostei, mas acho que vai ser um filme difícil para quem não leu o livro”, opinou Óscar, estudante de Engenharia Civil, em Lisboa. “É uma adaptação rigorosa da obra de Dan Brown”, admitiu ainda, reforçando que discorda da teoria do autor, mas ficou “intrigado e com vontade de descobrir a verdade”.
"TEORIA COM FUNDAMENTO" (Ana Carvalho, 51 anos, Lisboa)
“Gostei e agora quero ler o livro”, disse ao CM Ana Maria, reformada bancária. “Tive curiosidade de ver o filme, já li muito sobre o assunto e, se esta teoria não tivesse fundamento, o Vaticano não teria tanto medo. Afinal, na Biblía não está nada escrito a dizer que Jesus não tinha mulheres...”
"POLÉMICA NÃO SE JUSTIFICA" (Sandra Serra, 28 anos, Porto)
“Gostei bastante. O filme não faz uma descrição fiel do livro, apenas se baseia nele. Acho que o filme analisa cientificamente algumas telas que no livro deixavam um pouco em dúvida. Acho que a polémica que a obra levanta não se justifica, porque devemos perceber o que é ciência e o que é ficção.”
"IGREJA SÓ DÁ VISIBILIDADE" (Artur Oliveira, 28 anos, Porto)
“Achei o filme interessante, essencialmente porque dá sempre os dois pontos de vista, o mais histórico e o do romance. O filme e o livro não se substituem. E gostei muito da parte de 3D, principalmente da parte dos monumentos. A Igreja, com o ataque ao livro, só lhe está a dar maior visibilidade.”
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