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Correio da Manhã

Cultura
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Pôs as mãos nas minhas calças e começou a masturbar-me

Ao nono dia do julgamento em que está acusado por dez crimes de abuso sexual a menor, Michael Jackson não só chegou mais de uma hora atrasado a tribunal, como se apresentou de pijama e ouviu a alegada vítima contar como ele lhe dava álcool e o masturbou.
11 de Março de 2005 às 14:34
Gavin Arvizo tinha 13 anos à data dos acontecimentos (2003) e estava ainda em recuperação de um cancro, por causa do qual ficou sem um rim. Michael Jackson, 46 anos de idade e 'Rei da Pop' mundial, recebia Gavin na sua grande propriedade, conhecida por Neverland. Os dois eram amigos.
Até aqui, nada de invulgar. Mas Gavin contou ontem em tribunal que Jackson lhe dava vinho e outras bebidas alcoólicas a beber, apesar de este lhe dizer que tinha estado doente. Jackson chamava-lhe os sumos de Jesus. Mais grave, Gavin garantiu recordar-se perfeitamente de duas ocasiões em que Jackson, em 2003, o masturbou e tentou que ele o masturbar-se.
Perante o arguido, a alegada vítima disse que o primeiro incidente ocorreu em Fevereiro de 2003, quando foi transmitido nos EUA o polémico documentário sobre Jackson. Os dois tinham estado a beber em Neverland. "O Michael começou a falar-me sobre masturbação", referiu Gavin, acrescentando que o cantor lhe disse que era um tema natural e que os homens tinham de se masturbar para evitar obsessões.
Gavin, na altura com 13 anos de idade, disse que Jackson, então com 44 anos, disse que lhe mostrava como se fazia. "Ele pôs as mãos nas minhas calças e começou a masturbar-me", disse Gavin. A alegada vítima comentou que se sentiu estranho, mas que o cantor lhe disse ser tudo natural.
No dia seguinte, de acordo com Gavin, ocorreu novo incidente do género, quando os dois estavam a ver televisão. Estavam sentados muito juntos e Jackson sugeriu-lhe que comparecessem os dois numa conferência de Imprensa para negar as sugestões de pedofilia em Neverland. Depois, Jackson voltou a masturbar Gavin e, mais tarde, sugeriu que ele o masturbasse a ele, ao que o rapaz se opôs.
Gavin revelou também os pormenores sobre uma noite passada com Jackson num hotel em Miami, durante a qual o cantor lhe terá dado bastante álcool misturado com coca-cola, o tal Sumo de Jesus. No voo de regresso à California, no avião de Jackson, o cantor deu a Gavin mais álcool e pediu-lhe que nunca revelasse isso a quem quer que fosse. Ao mesmo tempo, ter-lhe-à oferecido um casaco e um religioso que disse valer 75 mil dólares.
Testemunhos arrepiantes, que Jackson ouviu em tribunal no dia em que quase ficava obrigado a permanecer preso durante o resto do julgamento. É que Jackson não compareceu ao início da audiência e o juiz emitiu um mandado de captura.
O arguido chegou à audiência cerca de uma hora depois, de calças de pijama e chinelos, e justifocou o atraso com o facto de ter estado no hospital, sob observação por causa de dores nas costas, resultantes de uma queda que terá dado em casa quando se vestia para o julgamento. O hospital confirmou que o cantor esteve lá durante cerca de 45 minutos e o juiz cancelou o mandado de captura, permitindo que Jackson continue em liberdade sob uma caução de 3 milhões de dólares.
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